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A vida de um servo feudal


Para descrever a forma de vida dos servos na França medieval, o cronista anglo-saxão Elfrico incluiu em sua obra Colloquium o seguinte diálogo entre um senhor feudal e um camponês: "– Como é o seu cotidiano? – Eu trabalho muito, senhor. Levanto-me ao amanhecer, levo o gado para o pasto e depois começo a arar os campos. Mesmo neste inverno tão rigoroso, não deixo de sair para cumprir minhas tarefas. Todos os dias, preciso arar mais de um acre de terra, além de me ocupar com o rebanho. – Você tem algum ajudante? – Sim, um garoto me ajuda com o trabalho. Ele conduz o gado com um bastão e esta rouco de tanto gritar. – É mesmo uma jornada bem dura, não e? – Sim, todos aqui trabalhamos muito." Um relato protagonizado por Carlos Magno também aborda as dificuldades da vida dos servos. Em certa ocasião, um serviçal cantava um hino religioso para o imperador, que comentou com um bispo presente sua admiração pelo que acabara de ouvir. O religioso então respondeu: "Qualquer camponês do império faz o mesmo que este homem quando leva os bois para o pasto". Na Idade Média, os camponeses trabalhavam do amanhecer ao pôr-do-sol. Tinham o costume de dormir cedo porque não havia velas para iluminar as casas – fato que o escritor Thomas de Quincey incluiu em seus famosos ensaios: "Naquele tempo, camponeses recolhiam-se cedo porque a generosa Mãe Natureza não lhes iluminava a noite. Se algum dos povos da Terra pedisse à bondosa Terra algumas velas para aclarar a escuridão da noite, ela certamente se indignaria. Mas que despropósito – diria ela –, com tanta luz solar que ofereço durante o dia e eles desperdiçam! O que mais eles querem?".

Referências bibliográficas

  • História do Mundo. Editora e gráfica Visor do Brasil, Ltda. São Paulo, Visor, 2000. (bibliografia completa)
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