A vida de uma nobre francesa no século XVII |
A vida de Ninon de Lenclos, nascida em 1620, retrata com precisão algumas particularidades das cortes de Luís XIII da França e de seu herdeiro, Luís XIV, conhecido como Rei Sol. Embora não fosse dona de uma beleza extraordinária, tinha muita graça e singulares encantos, além de uma astúcia inegável. Graças a essas qualidades, tornou-se uma das jovens mais cobiçadas de Paris. Ficou órfã aos 15 anos, mas seu pai, um epicurista bon vivant, lhe deixou um patrimônio suficiente para que vivesse de renda. Não teve uma existência luxuosa, mas sempre se destacou pelo refinamento. A vida amorosa de Ninon começou aos 16 anos e sua lista de amantes era interminável. A jovem ouvira os conselhos de seu pai e procurava se ater à qualidade e não à quantidade de admiradores. Dividia seus amantes em três grupos: os pagãos, aos quais dedicava pouca importância; os mártires, que suplicavam sua atenção; e os que ela considerava seus "favoritos". Aos eleitos, esclarecia que seu afeto não durava muito e chegou a escrever ao marquês de Rambouillet que "o amaria por três meses, o que para ela era o infinito". Quando descobriu que estava grávida, o abade D’Effiat e o marechal D’Estrées disputaram a paternidade da criança e solucionaram a questão em um jogo de duelos. A sorte favoreceu o militar, e o filho da cortesã, que recebeu o nome de senhor de La Boisserie, chegou a ocupar o posto de capitão de navio. Outro célebre amante foi o príncipe de Conde. Este líder militar, conhecido como "o grande Conde" e responsável pela derrota dos espanhóis nas batalhas de Rocroi (1643) e de Lens (1648), era muito peludo. A característica lhe valeu a atenção de Ninon, curiosa pelo provérbio latino "pilosus aut fortis, aut libidinosus" (os homens com muitos pêlos são fortes ou libidinosos). Na manhã seguinte ao encontro, a jovem despediu-se do nobre dizendo: "Você deve ser muito forte". Em sua casa reunia-se a corte e a nata da intelectualidade francesa. A famosa anfitriã, que dizia pedir a Deus todas as noites que conservasse sua inteligência, morreu em outubro de 1706.
Referências bibliográficas
- História do Mundo. Editora e gráfica Visor do Brasil, Ltda. São Paulo, Visor, 2000. (bibliografia completa)
|