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O modo de vida na Revolução Industrial


A piedade, a compaixão e a assistência como valores que deviam ser levados em conta na relação com os trabalhadores foram alguns dos critérios axiomáticos que os inspiradores e pioneiros da Revolução Industrial do século XIX se apressaram em descartar. Afinal, a piedade pelos mais fracos podia minar a determinação, enquanto a compaixão em tese tornaria mais lento o ritmo das transformações. Para os donos do capital e das indústrias, tudo o que detivesse a marcha para o progresso material deixava de ser moral. A defesa que os artesãos faziam de seus tradicionais direitos e a resistência oposta pelos pobres da era pré-industrial ao regime de trabalho mecanizado constituíam obstáculos sérios. Os grandes defensores do magnífico mundo que haveria de ser construído sobre a base do engenho e da habilidade dos homens (sobretudo dos projetistas de máquinas e dos promotores de sua utilização) não duvidavam de que os autênticos mensageiros do progresso eram as mentes criativas dos inventores. James Watt sustentou em 1875 que os demais homens, cujo esforço físico era necessário para dar corpo às idéias dos inventores, "deviam ser considerados somente forças mecânicas das ações que devem utilizar apenas o raciocínio". De sua parte, Richard Arkwright, que aperfeiçoou a lançadeira têxtil, se queixava de que "é difícil educar os seres humanos para que renunciem a seus desordenados e ineficientes métodos de trabalho, a fim de se identificar com a inexorável regularidade das máquinas automáticas, que só podem funcionar corretamente se vigiadas de forma constante. A idéia de passar dez ou mais horas por dia fechados numa fábrica, olhando uma máquina, não atrai nem um pouco a esses homens e mulheres chegados do campo". Os donos da opinião esclarecida da época concordaram que os trabalhadores braçais não estavam em condições de reger a própria vida. Como crianças caprichosas ou inocentes, não podiam distinguir o bom do mau, nem entender o que os beneficiava e o que os prejudicava.

Referências bibliográficas

  • História do Mundo. Editora e gráfica Visor do Brasil, Ltda. São Paulo, Visor, 2000. (bibliografia completa)
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