O sacrifício de crianças |
Os cartagineses, rivais dos romanos no controle do Mediterrâneo e finalmente derrotados por Roma nas Guerras Púnicas, costumavam sacrificar crianças para oferecer aos deuses. O historiador Diodoro Sículo, nascido na Sicília no final do século I a.C., afirma em sua biblioteca histórica que viu em Cartago uma estatua de Baal de proporções imensas. A imagem tinha as mãos voltadas para a frente e ligeiramente inclinadas em direção à terra, sobre as quais eram colocados os escolhidos para o sacrifício: sem apoio, as crianças escorregavam e caíam em uma grande fogueira, acesa aos pés da estátua. Para o povo cartaginês, os seres imolados tornavam-se divindades. Músicos tocavam flautas e tambores durante o ritual, e as próprias mães entregavam seus filhos para os sacerdotes. O escritor francês Gustave Flaubert cita esta estatua e a terrível cerimônia de oferta de vidas humanas em seu livro Salambô. É provável que o romancista tenha se inspirado nos relatos de Diodoro para fazer sua descrição, caracterizada pelo horror à sinistra homenagem a Baal. A tradição cartaginesa dos sacrifícios era uma herança ancestral deixada pelos fenícios. Este povo também adorava o deus Baal, cujo nome significa "senhor". Cada cidade ou aldeia fenícia contava com seu Baal, e o mais importante era o de Tiro, chamado pelos seguidores de Baal Afelkart. Todos os fenícios (assim os gregos chamavam os cananeus) ofereciam o primeiro filho ao deus. O sacrifício era conhecido como Moloch e o termo acabou designando o deus cananeu. No Antigo Testamento, o livro do Levítico adverte os fiéis: "Não darás teu filho em oferenda a Moloch, nem profanarás o nome do teu Deus". O mesmo livro, porém, informa: "Se a filha de um sacerdote se profana tornando-se uma prostituta, está profanando seu pai e deve arder na fogueira".
Referências bibliográficas
- História do Mundo. Editora e gráfica Visor do Brasil, Ltda. São Paulo, Visor, 2000. (bibliografia completa)
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