A paisagem em mudança
A agricultura é um modo de vida que vem sendo praticado há mais de 9 mil anos. A partir do momento que as pessoas estabeleceram o primeiro assentamento e passaram a cultivar a terra, começaram também a alterar o ambiente ao seu redor. Há milhares de anos que as florestas são derrubadas para dar lugar a campos de cultivo. Esta é uma das muitas maneiras pelas quais a agricultura vem tendo um efeito marcante sobre o meio ambiente.
As origens da agricultura
 | A agricultura tem mudado a paisagem do mundo inteiro. Em Montana, nos Estados Unidos, uma área de pastos naturais é hoje usada para o cultivo do trigo |
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Os primeiros seres humanos eram caçadores nômades. Seguiam animais, como veados, bisões e outros rebanhos selvagens, para caçá-los em suas rotas migratórias na busca de novas pastagens. Então, há cerca de 12 mil anos descobriram que podiam domesticar animais, tais como a cabra e o carneiro, para mantê-los em rebanhos.
A vida então se tornou mais fácil, mas os homens ainda levavam uma existência nômade. Continuavam a mudar-se de um lugar para outro, carregando consigo seus rebanhos de animais domésticos e adicionando plantas nativas à sua dieta. Então, há mais ou menos 9 mil anos uma mudança rápida ocorreu no Oriente Médio – uma mudança que literalmente iria alterar a face da Terra, como veremos a seguir.
Uma das plantas selvagens que tinha se tornado importante para essas pessoas era o trigo. Um tipo de capim silvestre, cujos frutos (grãos) podiam ser moídos para fazer pão, um alimento muito útil. O trigo tornou-se tão importante que as pessoas começaram a fazer ferramentas para a sua colheita, tais como pequenas foices, confeccionadas a partir de ossos e lascas de pedra. Contudo, não se havia pensado na possibilidade de semear algumas das sementes para cultivar novas plantas. As plantas espalhavam suas próprias sementes de modo tão eficaz que a semeadura parecia desnecessária.
 | O trigo usado para fazer o pão (esquerda) tem grãos mais encorpados que o emmer, a espécie híbrida precedente (direita). |
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Neste momento, entretanto, a natureza deu uma mãozinha, desencadeando não uma, mas duas mudanças notáveis. Primeiramente, ocorreu um intercruzamento acidental entre o trigo selvagem e uma outra espécie de gramínea. Esses intercruzamentos eram provavelmente freqüentes, mas, na maioria dos casos, a planta resultante era híbrida, incapaz de reproduzir. Neste caso, entretanto, a nova planta produzia sementes. Os grãos eram muito mais encorpados que os do trigo selvagem, e, por isso mesmo, o seu cultivo tornava-se mais vantajoso e compensador.
Esse não foi o fim da história. A nova planta, chamada emmer, cruzou-se com outro tipo de gramínea, dotada de grãos ainda mais encorpados. E, por um capricho da natureza, o vegetal surgido também era capaz de se reproduzir. Assim nasceu o trigo do qual fazemos pão. Mas, ao contrário da espécie silvestre e do trigo híbrido emmer, o trigo-de-pão não conseguia espalhar suas próprias sementes com facilidade. Então, a fim de obter um bom suprimento da planta, os próprios homens começaram a semeá-la. Era evidente que valia a pena cultivar essa espécie de trigo, e foi aí que a agricultura começou.
Cercas-vivas
As cercas-vivas foram plantadas originalmente como barreiras naturais. Uma cerca bem conservada impede que os animais se percam pelas terras de fazendas vizinhas. Também oferece abrigo para os animais silvestres. As cercas-vivas podem conter muitos tipos de arbustos e árvores, enquanto plantas menores que produzem flores, samambaias e musgo podem crescer protegidas na base das cercas. Uma cerca-viva funciona como uma barreira contra o vento. Oferece, assim, abrigo aos animais domésticos e ajuda a proteger as áreas cultivadas, evitando que o solo seja levado pelo vento.
A remoção de uma cerca-viva tem, portanto, um impacto considerável no meio ambiente local. A vida silvestre desaparece e o solo agora exposto sofre mais facilmente os efeitos da erosão provocada pelo vento.
As cercas-vivas restantes são hoje podadas com um mangual operado por um trator agrícola. Este método limpa as cercas, mas pouco faz pela vida silvestre. As cercas são freqüentemente podadas baixas demais para formar barreiras eficientes contra o vento. As que sofreram podas excessivas oferecem pouco abrigo para pássaros e outros animais, tornando-se incapaz de reter os animais no campo.
 | Durante a primavera, na Grã-Bretanha, entre as plantas das cercas-vivas estão as dedaleiras e as madressilvas. |
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 | O camundongo silvestre é um dos muitos animais que se adaptaram à vida nas cercas-vivas. |
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 | Um mangual podador de cercas acoplado a um trator. Cercas-vivas cortadas em excesso, como aqui, oferecem pouca proteção paraa vida silvestre. |
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Referências bibliográficas
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