Alimentos e saúde
Nos últimos anos, temos nos conscientizado da relação entre a comida que consumimos e a nossa saúde. Alimentos que contêm muita gordura animal são hoje vistos com reserva. Leite e queijo, antigamente louvados por seu valor nutritivo, atualmente desfrutam de bem menos popularidade, e os consumidores exigem carnes mais magras. Os animais são por isso alimentados à base de rações ricas em proteínas que incluem ingredientes como soja e derivados de carne.
Ao mesmo tempo, a pecuária tem se tornado cada vez mais intensiva. Alguns animais, como galinhas e porcos, hoje são criados em grande escala dentro de estabelecimentos fechados. A eles são fornecidas rações concentradas, desenvolvidas com o objetivo de assegurar o crescimento mais rápido possível. Tais métodos visam a quantidade, ao invés da qualidade, e têm por resultado um alimento muito menos nutritivo do que poderiam produzir. A carne de frango, por exemplo, era tida, no início, como uma carne magra. Mas os frangos de hoje, criados no interior de instalações fechadas e alimentados com rações especiais, durante apenas seis semanas, contêm um alto teor de gordura.
 | Uma granja na Geórgia, Estados Unidos. Os ovos produzidos dessa forma são relativamente baratos, mas muitas pessoas pensam que confinar as aves em pequenas jaulas é inaceitável. |
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A pecuária intensiva tem sido alvo de críticas devido também a outros fatores. Os frangos são mantidos em gaiolas de granja ou em unidades de criação densamente povoadas. Porcos e bezerros são geralmente criados em pequenos cercados, nos quais têm muito pouco espaço para se mover. Muitos acreditam que esse modo de criação animal é extremamente cruel. Um outro problema é que as doenças se espalham mais facilmente quando os animais estão confinados a espaços reduzidos. Para minimizar isso, grandes doses de antibióticos têm que ser administradas aos animais. Nos Estados Unidos, os antibióticos são acrescidos à ração, processo que ajuda o crescimento. O problema é que os microrganismos se tornam resistentes aos antibióticos e as doenças têm o seu tratamento dificultado.
Microrganismos resistentes a medicamentos podem representar um sério risco para a saúde das pessoas. Em 1984, cientistas norte-americanos descobriram que a carne contaminada por salmonelas havia causado uma infecção alimentar em 18 pessoas; uma vítima morreu. Na Grã-Bretanha, a presença das salmonelas em frangos é conhecida já há muito tempo. Quando o frango era cozido adequadamente, as salmonelas eram mortas, e o problema não era visto como demasiadamente sério. Recentemente, entretanto, a presença das bactérias em galinhas poedeiras passou a ser uma fonte de preocupação, mesmo sabendo-se que há pouca chance do microrganismo penetrar no ovo, O governo britânico aconselhou que algumas pessoas, como crianças pequenas, mulheres grávidas e idosos, evitassem o consumo de pratos com ovos crus.
Uma outra doença que também está causando preocupação em nossos dias chama-se Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), uma doença que ataca o cérebro do gado. Essa doença é fatal, pois não há cura conhecida. Ela se desenvolve lentamente, mas os animais afetados não demonstram sintomas até que a doença tenha atingido estágios avançados. É semelhante a uma doença típica dos carneiros chamada scrapie e também a duas doenças do cérebro humano, embora não haja evidência de uma ligação entre essas doenças, ou de que a EEB possa ser transmitida para os seres humanos. A questão é, contudo, que tanto a salmonela quanto a EEB podem estar sendo disseminadas pelo uso de derivados de carne nas rações animais.
Como resultado, algumas pessoas passaram a questionar políticas de produção barata de alimentos. Ao contrário, pensam que a produção de comida deveria estar sobretudo baseada em considerações sobre a saúde humana, como é na Suécia.
Referências bibliográficas
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