Faixa da seção de Ecologia
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Irrigando a terra


Irrigação excessiva

A salinização é um problema cada vez maior no Egito. Irrigação excessiva leva ao encharcamento do solo, que traz o sal à superfície.


A água fresca é essencial para o crescimento das plantas e, em lugares onde as chuvas são escassas, tem-se que supri-la por meio de irrigação. Cerca de 12% das terras cultivadas no mundo são irrigadas e estas terras produzem até 30% da colheita mundial. A irrigação é uma técnica muito antiga; era praticada pelos primeiros agricultores da Mesopotâmia (hoje Iraque). Quando executada com planejamento, não apresenta dificuldades, mas a irrigação excessiva pode causar sérios problemas.

Pelo fato de a irrigação ser utilizada em lugares onde as chuvas são menos freqüentes, deve-se fazê-la com água estocada. Em muitos locais, usam-se lençóis freáticos – água das chuvas infiltrada nas camadas mais profundas do solo que forma uma reserva subterrânea. Em algumas regiões, entretanto, estas reservas de água estão sendo consumidas mais rapidamente do que são repostas. Uma grande área no Texas e estados vizinhos foi transformada em terra produtiva, graças à utilização da água de um enorme lençol freático. Mas essa fonte está sendo exaurida em um ritmo crescente. Quando os lençóis de água subterrâneos se esgotarem, o solo acima deles se tornará seco e estéril.

Um outro problema que está ocorrendo cada vez mais é o aumento de salinidade dos solos irrigados. Esse problema é chamado de salinização. Não é um processo novo: aconteceu na Mesopotâmia há milhares de anos, e pode ter sido uma das razões pelas quais a antiga civilização Suméria sucumbiu.

Irrigação tradicional no Egito

O método tradicional de irrigação de plantações se dá por meio de canaletas contendo água, como esta no Egito.


Todos os solos apresentam alguns sais, e os lençóis de água contêm, portanto, sais levados dos solos pelas chuvas. Em climas quentes, a água evapora rapidamente, deixando a restante com um maior teor salino. A água subterrânea usada para irrigação evapora, deixando os sais depositados nas camadas superficiais do solo. Com o passar do tempo, o solo se torna cada vez mais salgado, e, em alguns casos, esse processo pode endurecer o solo, deixando-o inútil. Na Austrália, há 3 mil km² de solo estéril, saturado de sal.

O sal também pode ser trazido à superfície a partir das camadas profundas. O subsolo seqüentemente possui altas concentrações de sal, infiltradas no solo com as águas da superfície no decorrer de milhões de anos. A irrigação excessiva de solos áridos eleva o nível dos lençóis freáticos profundos, trazendo estes sais para a superfície. Solos mal irrigados podem tornar-se encharcados. A salinização, bem como o acúmulo de água em terras irrigadas, constitui hoje um sério problema em muitos países, incluindo o Paquistão, o Egito, o Iraque, a Índia e os Estados Unidos.

A bacia de poeira americana

Período de seca nos EUA

A grave seca de 1988 deixou muitos agricultores norte-americanos receosos que suas plantações pudessem virar pó.


Durante a década de 30, a parte central do cinturão produtor de milho nos Estados Unidos sofreu um processo de erosão tão grave que a atividade agrícola tornou-se impossível. A seca, associada a um plantio excessivo, transformou o solo em pó, que era carregado em enormes quantidades pelo vento. Nada germinava e o gado morria de fome. Frangos e outras aves domésticas morreram nas tempestades de poeira, enquanto as pessoas sofriam com a febre provocada pelo pó. Agricultores no Colorado, Kansas, Oklahoma e Novo México foram forçados a abandonar suas casas e terras, mudando-se para longe de lá.

O fenômeno americano conhecido por Bacia de Poeira é considerado como um dos piores erros ambientais já registrados na história. Após 50 anos, a porção de terra afetada já se recuperou o suficiente para sustentar o cultivo de produtos agrícolas outra vez. Contudo, a erosão do solo continua a ser um grave problema e hoje uma área ainda maior parece encontrar-se ameaçada. Pelo que se vê, a lição dos anos 30 não parece ter sido aprendida.

Referências bibliográficas

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