Produzindo alimentos para o mundo
Muitos dos métodos hoje utilizados para a produção de alimentos no mundo causam um impacto direto sobre o meio ambiente. Até mesmo alguns dos problemas referentes à saúde humana podem estar ligados à prática agrícola.
A Revolução Verde
 | O cacau é um produto de exportação cultivado em muitos países em desenvolvimento. Assim como outros produtos, inseticidas são usados para constrolar insetos-pragas. |
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À medida que a população mundial aumenta, os governos no mundo todo têm adotado a política de produzir grandes quantidades de alimentos do modo mais barato possível. Infelizmente, é essa mesma política que tem causado muitos dos problemas que afligem o meio ambiente.
Durante os anos 60 e 70, muitos dos países em desenvolvimento viveram o que é chamado de Revolução Verde. O objetivo era colher imensas safras de produtos agrícolas importantes, como o trigo e o milho, usando novas linhagens de cada produto, especialmente desenvolvidas para este fim. A produção de alimentos realmente aumentou. Grandes quantidades de fertilizantes foram necessárias para o desenvolvimento dos grãos, mas os fertilizantes são caros e, na maioria das vezes, os camponeses dos países em desenvolvimento não tinham recursos financeiros para comprá-los. Grande volume de pesticidas foi necessário para controlar os insetos-pragas, com a conseqüente poluição dos cursos d'água. O cultivo do mesmo produto agrícola em vastas áreas de terra também favorecia o alastramento de doenças. Além disso, os novos produtos agrícolas precisam de mais água que os produtos tradicionais, e a crescente demanda por irrigação levou à salinização de muitas áreas. Não se pode deixar de registrar o fato de que as doenças humanas transmitidas por pequenos animais que vivem nas águas também se espalham rapidamente.
 | Abacaxis cultivados no Quênia. Produtos de exportação como estes trazem dinheiro para os países em desenvolvimento, mas também ocupam terras que poderiam ser utilizadas para o plantio de produtos destinados à subsistência das populações locais. |
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Os problemas se agravaram devido ao fato de que muitos governos exportavam os alimentos cultivados para gerar divisas internacionais. Agricultores locais continuavam pobres e famintos. Em algumas partes do mundo, cultivavam produtos rentáveis, como amendoim, no lugar de grãos mais importantes. Sem uma grande quantidade de fertilizantes, o amendoim logo esgota a terra, forçando os agricultores a cultivar áreas normalmente destinadas à pastagem. No norte da África, tribos nômades tiveram que trazer seu gado para pastar nas terras mais áridas das bordas do deserto, e isso inevitavelmente levou-as a praticar um pastoreio excessivo.
Outros problemas associados à Revolução Verde, e também com a agricultura moderna de modo geral, consistem em que os agricultores tendem a favorecer algumas poucas variedades conhecidas de produtos agrícolas. Dessa forma, se as variedades menos populares desaparecerem por completo, não teremos acesso ao seu banco genético. E isto não é apenas triste, é potencialmente desastroso. Um amplo e diversificado estoque de recursos genéticos é fundamental. Por exemplo, se uma importante variedade de planta sucumbir devido a uma nova doença, é possível criar uma nova variedade resistente à doença pela manipulação dos genes de uma espécie semelhante.
Montanhas de alimento e surto de fome
 | Em países temperados do Hemisfério Norte, grandes quantidades de alimento podem ser produzidas. Nas planícies cobertas com trigo em Sarkatchewan, no Canadá, o grão é estocado em depósitos gigantes. |
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A mesma política de produção barata de alimentos foi adotada em outras partes do mundo. Em climas temperados, é mais fácil cultivar produtos agrícolas e os agricultores dos países desenvolvidos geralmente podem pagar pelo uso de fertilizantes. Conseqüentemente, algumas nações desenvolvidas possuem hoje excedente agrícola. Os Estados Unidos exportam grandes quantidades de grãos para a Rússia. A Comunidade Econômica Européia adotou uma política de manter os preços dos alimentos, mesmo quando houver um excesso na produção. O objetivo dessa política é assegurar que a Europa jamais fique sem comida. Entretanto, devido ao estímulo dado aos agricultores para produzir em excesso, enormes quantidades de grãos, carne e laticínios acabam se acumulando. A redução destas "montanhas" de alimento tornou-se um grande problema.
 | Na Etiópia, agricultores cultivam e vendem quantidades relativamente pequenas de alimento. Entretanto, é grande a variedade de grãos produzida pelo país. A Etiópia é, na verdade, uma área com condições naturais para a produção de uma parcela do alimento mundial. |
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Em outras partes do planeta, as pessoas estão passando fome. Alimentos podem ser e têm sido transportados para as áreas atingidas pela fome. Mas, em longo prazo, transportar muita comida para esses lugares pode tornar o problema até pior. Os governos das nações em desenvolvimento geralmente têm de pagar pela comida que recebem, abalando ainda mais a economia do país.
Referências bibliográficas
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