O jogo da sobrevivência
 | As enormes orelhas do feneco permitem que o calor corporal escape pela sua grande superfície; elas também captam o mais leve movimento de um gerbo. A raposa satisfaz todas as suas necessidades de água ao consumir sua vítima. |
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Um aborígine anda pelo Deserto Australiano. Ele procura por água. Seus olhos penetrantes não perdem nada: os rastros das pequenas criaturas, o formato das rochas, as poucas plantas esparsas. Pára ante um caule aparentemente morto, do qual pendem folhas esfarrapadas. Começa a cavar com um bastão. O caule começa a engrossar. Meio metro abaixo da superfície, ele se transforma numa raiz do tamanho de uma bola de futebol. A raiz é puxada para fora, raspada com uma faca e espremida entre suas mãos. Um filete de líquido escorre. O aborígine bebe-o. Não há mais nenhuma água numa extensão de centenas de quilômetros.
 | A brilhante coloração do gila é um aviso aos predadores. É um dos únicos lagartos venenosos que existem. |
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A habilidade para sobreviver nas condições extremas do deserto é rara. Talvez somente os nativos do interior da Austrália e da África possam obter dessas inóspitas regiões do mundo tudo aquilo de que necessitam. Eles lêem tudo que os cerca como um livro, procurando sinais significativos de comida ou de água, plantas medicinais ou um lugar suficientemente seguro para descansar de suas longas caminhadas.
Os nativos têm tamanho conhecimento e compreensão de seu meio ambiente que deixariam muitos biólogos desconcertados. E tudo isso foi passado de geração a geração oralmente, através de canções e histórias; nenhuma palavra foi escrita. Talvez se possa dizer que, por entenderem seu ambiente, os nativos o respeitam e, por respeitá-lo, estão em perfeitas condições de viver em harmonia com ele.
 | Interior australiano. Imagine obter tudo o que se necessita para sobreviver nesta terra inóspita. |
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Os nômades
Os nativos não são, entretanto, os únicos habitantes dos desertos. Muitas pessoas vivem às suas margens ou viajam através deles. Os tuaregues, originários da região norte do Saara, conduzem regularmente caravanas pelo .deserto, carregando bronze e ouro, tâmaras e seda para serem trocados por sal nos antigos entrepostos do rio Níger.
 | Os nativos australianos utilizam tudo de seu ambiente. Esta "concha acústica" natural amplia o menor dos sons. |
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Os nômades não poderiam cruzar o deserto sem a ajuda de um animal extraordinário: o camelo. Ele apresenta várias adaptações especiais que o ajudam a sobreviver no deserto, mas depende também do homem: esse animal não sobreviveria a uma travessia no Saara sem os tuaregues, que retiram água dos poços nos oásis que ocasionalmente aparecem no deserto. Nesses lugares, rochas que armazenam água aparecem próximo à superfície e formam lagos naturais ou locais para cavar poços. Neles também o deserto subitamente se transforma num fértil pomar de tamareiras, de cuidadas culturas de cereais e até de pêssegos. Talvez assim tenha sido o deserto há milhares de anos atrás, antes das mudanças climáticas ocorridas na Terra e da falta de chuvas. Mas, no cenário de fundo, as dunas de areia assomam, prontas para engolir o oásis numa grande tempestade de areia.
No deserto, a vida se revela sempre um constante movimento.
Referências bibliográficas
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