As conseqüências do desmatamento
Pode ser deplorável – mas compreensível – que as florestas tenham de ser destruídas para ceder lugar ao crescimento e à expansão, tão necessários aos países em desenvolvimento. Mas, infelizmente, florestas destruídas não significam terras adequadas para atividades agrícolas ou pecuárias. O solo das florestas é velho demais e já sustentou o ciclo de crescimento de inúmeras gerações de plantas. Sendo pobre em nutrientes, as culturas agrícolas tradicionais nele plantadas não se desenvolvem tão bem como as plantas nativas, especialmente adaptadas a esses solos.
 | O corte e a queima de árvores numa floresta do oeste africano. Esta prática agrícola destrói extensas áreas de florestas, muito embora o solo possa ser usado para o plantio por um período de tempo muito curto. |
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Quando convertidas em terras para a lavoura, as florestas permanecem férteis por poucos anos. Então, mais áreas de floresta têm de ser destruídas e o processo se repete. Os habitantes das florestas sabem disso e adotam um método agrícola baseado no corte e queima de pequenos trechos da floresta que usam para cultivo temporário. Hoje, contudo, essa prática está atingindo proporções gigantescas, deixando um rastro de terra estéril, imprópria para o plantio de produtos agrícolas e até mesmo para o crescimento de capim.
A remoção da camada que cobre o solo da floresta pode gerar outros sérios efeitos colaterais. As florestas são diretamente responsáveis pelas chuvas, pois as gigantescas árvores absorvem grande parte da água, devolvendo-a lentamente ao meio ambiente sob a forma de umidade. A devastação da floresta, reduzindo a quantidade de chuva na região, pode levar a um processo de desertificação. Desprovido de sua cobertura vegetal, o solo fica mais vulnerável à erosão. A terra carregada pela erosão pode, por sua vez, depositar-se nos leitos dos rios, deixando-os mais rasos e provocando inundações. Na Índia, anualmente ocorrem cheias de graves proporções no delta dos rios, devido ao desmatamento realizado nas montanhas do Himalaia. Há 40 anos, quase metade da Etiópia era coberta de florestas, fonte de água preciosa para a irrigação das lavouras. Hoje restam apenas 5% das florestas etíopes. Como conseqüência, a enorme população do país tem sido vitimada pela fome, seca e enchentes.
 | A realidade sem vida de uma área de floresta queimada. |
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A erosão do solo é uma conseqüência direta do desmatamento. Esta colinas, corroídas pela erosão, localizam-se em Java, Indonésia.
A destruição das florestas tem também graves conseqüências em escala mundial. Sabe-se que as florestas tropicais regulam os padrões climáticos globais. Em regiões tropicais, mais de 1 bilhão de pessoas dependem da água produzida pelas florestas para irrigar sua produção agrícola. No Hemisfério Norte, fenômenos como ciclos de chuvas desregulados e o aumento de dióxido de carbono na atmosfera são possíveis resultados do desmatamento registrado nos trópicos. Essa devastação poderia levar a um aquecimento generalizado da atmosfera, conhecido por "efeito estufa" que, por sua vez, poderia acelerar o derretimento das calotas polares e contribuir para a elevação do nível do mar.
 | A erosão do solo é uma conseqüência direta do desmatamento. Estas colinas, corroídas pela erosão, localizam-se em Java, na Indonésia. |
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Uma vez destruída, a floresta não pode ser recuperada. Mesmo removendo apenas as árvores maiores, o frágil ecossistema florestal não resistirá. Com ele, estarão perdidas para sempre comunidades inteiras de plantas e animais, muitas das quais de valor incomensurável para nós. Há séculos, tribos das florestas têm usado as propriedades químicas de muitas espécies de plantas para obter drogas e medicamentos. A própria ciência moderna reconhece hoje o valor dessas ervas medicinais. Curare, ipecacuanha, inhame selvagem e pervinca de Madagascar são apenas alguns exemplos de plantas cujos compostos são usados no tratamento de doenças graves como câncer, leucemia, problemas musculares e cardíacos. São também usadas como ingredientes básicos para a fabricação de hormônios controladores da natalidade, estimulantes e tranqüilizantes. Talvez a droga mais conhecida obtida de uma planta de floresta seja a quinina. A quinina vem da casca de uma árvore sul-americana, conhecida como cinchona ou murta-do-mato, que provou ser muito eficaz na cura da malária.
 | A erosão do solo é responsável por deslizamentos de terra, pela sedimentação nos leitos dos rios, provocando enchentes, por fracassos na colheitas e por calamidades públicas. |
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As plantas das florestas são igualmente importantes para a agricultura e a indústria. Chá, café, banana, laranja, limão, amendoim, abacaxi e goiaba são todos plantas nativas da floresta. Muitos dos cereais que consumimos, inclusive o arroz e o milho, também são originários da floresta. A indústria já se beneficiou bastante com tais produtos. Um exemplo típico é o da borracha, proveniente de uma árvore nativa da América do Sul e do Sudeste Asiático.
 | Os povos nativos sempre usaram as plantas como remédio. Agora é a vez da ciência descobrir o valor medicinal das plantas da floresta. |
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Outros produtos industriais, tais como resina para tintas, óleos, cera, sabão e plástico também têm sido fornecidos por plantas florestais. Sem dúvida, existem ainda muitos outros materiais com propriedades de igual valor esperando para serem descobertos, o que somente será possível se houver florestas onde procurá-los.
Desmatamento e erosão
A erosão é freqüente em áreas desmatadas, pois sem a cobertura de árvores, a chuva não é absorvida e escoa pela terra, levando consigo a camada superior do solo. Desprovida de nutrientes, a parte mais inferior é de pouco valor para o plantio de produtos agrícolas. A camada superior do solo, levada pelas chuvas, sedimenta-se no leito dos rios, bloqueando a vazão das águas. Com as tempestades tropicais, os rios assim represados transbordam, causando enchentes de grave proporções. Tais inundações já foram registradas na América do Sul e no Sudeste Asiático.
Chuvas e florestas tropicais
As florestas tropicais desempenham um papel fundamental para o equilíbrio das condições climáticas, especialmente com relação às chuvas. As enormes árvores absorvem uma grande quantidade de água pelas raízes. Depois, pelas folhas, liberam essa água sob forma de vapor, num processo conhecido por transpiração. A água evaporada condensa-se em nuvens na atmosfera para retornar ao solo como chuva.
A destruição de grandes áreas florestais afeta o ciclo de água da região. Sem as florestas para estocar água, longos períodos de seca tornam-se mais freqüentes.
Referências bibliográficas
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