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Poluição e vida marinha


Estima-se que, no Sudeste Asiático, uma quarta parte da população que vive no litoral ou perto dele ganhe a vida às custas dos recursos do mar. Suas águas, porém, são as mais contaminadas por esgotos. Animais como mexilhões e ostras estão entre os primeiros a serem seriamente afetados. Em muitos lugares do mundo, não é seguro comê-los. O Mediterrâneo já foi famoso por sua variedade de frutos do mar, mas hoje somente 4% das áreas de pesca são consideradas seguras.

Vinte mil pessoas foram internadas nos hospitais de Shangai após ingerirem mariscos de uma área poluída. Três pessoas morreram após comerem mexilhões da ilha de Príncipe Eduardo, no Canadá, fazendo com que a indústria entrasse em colapso e grande número de pessoas ficasse sem meios de sobrevivência.

Feira de frutos do mar

Peixes e frutos do mar são um alimento nutritivo e popular em muitas partes do mundo. Para mantê-los sadios por bastante tempo, é necessário guardá-los limpos.


Outras espécies também sofrem. Durante os últimos 40 anos, diminuiu drasticamente o número de vários tipos de baleias e golfinhos nas águas que circundam a Europa. A Universidade de Oxford, na Inglaterra, estabeleceu um programa para contar quantas vezes os cetáceos eram localizados e verificou que eles estão declinando nas regiões poluídas.

Cachorros no mar

Cachorros divertem-se no mar. Entretanto, eles sujam as praias e, por isso, muitas pessoas acham que não deveria ser permitida a presença desses animais em áreas de banho.


A maior parte das espécies que vivem no mar é capaz de tolerar certo grau de poluição; todavia, com 20 milhões de toneladas de resíduos sendo lançadas anualmente em suas águas, não surpreende que a vida marinha esteja sendo afetada. A maioria dos casos não é noticiada, mas, às vezes, eles atingem tamanha proporção que não podem ser ignorados. Em 1988, 80% da população de focas do Mar do Norte morreu devido a uma virose. Embora não se saiba se a poluição foi a causa direta da morte dos animais, pesquisas demonstraram que produtos químicos como o PCB, encontrado na maioria das focas, reduzem a resistência delas à doença.

Poluição por petróleo

Quando o petróleo é derramado no oceano, forma uma mancha perigosa para os animais que vêm à superfície, como pássaros, focas e baleias. Os vazamentos de petróleo causam grande devastação no litoral. Em 1980, 50 mil aves marinhas morreram no estreito de Skaggerak, entre a Suécia e a Dinamarca, como resultado de um único vazamento de petróleo: quando elas tentavam limpar suas penas com o bico para remover o óleo, envenenavam-se. Poucas foram salvas e voltaram à sua vida natural. Uma vez limpo o mar, as populações podem se reconstituir em poucos anos, porém o sofrimento causado pela poluição é muito perturbador.

Lixo radioativo

O tratamento do lixo radioativo necessita de uma atenção especial, porque a radioatividade pode causar câncer e alterar o desenvolvimento dos seres vivos. Alguns desses resíduos precisam ser guardados com segurança por muitos e muitos anos.

Ação do Greenpeace

O grupo ambientalista Greenpeace atormentou navios que jogavam lixo radioativo no mar, em 1982. Isso gerou muita publicidade e fez com que esse despejo fosse proibido.


Antigamente, o mar era considerado o lugar ideal para se despejar um tipo de lixo, pois se achava que ninguém poderia ser prejudicado. Hoje, porém, sabe-se que não é assim.

O Mar da Irlanda foi afetado de modo diferente: a água contendo pequenas quantidades de material radioativo da usina de processamento nuclear de Sellafield está sendo despejada por um tubo dentro desse mar, prática que o tornou o mais radioativo do mundo. O governo irlandês está pressionando para que a usina seja fechada, pois, segundo ele, o aumento dessa radiação no mar é a causa da elevação, acima do normal, dos casos de câncer em algumas comunidades costeiras. Mais recentemente, descobriu-se que grandes bolhas de ar que vêm à superfície contêm plutônio oriundo de Sellafield. Esse elemento passa do fundo do mar para a atmosfera, de onde pode ser impelido para a terra.

Bifenóis poticlorados e o meio ambiente

Os bifenóis policlorados (PCBs) são produtos químicos complexos usados na indústria elétrica. Podem tornar-se extremamente perigosos se penetrarem na atmosfera, por isso seu uso está sendo reduzido. Contudo, eles atingiram o ambiente marinho e agora são encontrados no corpo de muitos animais. Cinco toneladas e meia de PCBs, da aparelhagem elétrica da plataforma de perfuração Piper Alpha, podem estar agora no Mar do Norte, depois do terrível acidente ocorrido em julho de 1988, que a destruiu. Quando é absorvido por um animal, o PCB não é eliminado de seu corpo, permanecendo nele. A cada nível mais elevado na cadeia alimentar, este se torna mais concentrado.

Plâncton

O plâncton é a base de muitas cadeias alimentares. Se for atingido pela poluição, os efeitos poderão estender-se até o último elo dessas cadeias.


Esse produto químico pode reduzir a resistência do corpo a doenças, diminuir a capacidade de aprendizagem das crianças, danificar o sistema nervoso central, causar câncer e afetar os fetos. O Estado de Nova Iorque tem gasto 27 milhões de dólares para limpar 12 km que se estendem pelo Rio Hudson, onde começa a contaminação pelos PCBs, devido aos riscos a que as pessoas estão sujeitas.

Enviados a usinas especiais de tratamento, os PCBs são queimados a temperaturas altíssimas. O tratamento desses produtos químicos, entretanto, é um problema controverso. Em agosto de 1989, alguns portos da Inglaterra recusaram-se a descarregar containeres com resíduos desses produtos, que haviam sido trazidos do Canadá para tratamento; o navio que os transportava teve de retornar àquele país.

Referências bibliográficas

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