Lixo agrícola
 | Pecuária intensiva implica manter muitos animais em pequenas áreas, como nesta foto da Austrália. |
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Mais da metade do lixo produzido pela Comunidade Econômica Européia vem das fazendas. Esse enorme acúmulo é o resultado de mudanças nos métodos agrícolas nesses últimos 30 anos. Tradicionalmente, como ainda ocorre em muitos pontos do Brasil, os animais são mantidos nos campos, enquanto diferentes plantações são feitas em sistema de rotação, para a conservação saudável do solo. As fazendas eram "mistas", isto é, tinham criação de animais e plantações. No decorrer dos anos, as culturas têm se tornado mais especializadas e intensivas. Mais animais são criados, mas em espaços menores e, muitas vezes, em recintos fechados. Os fazendeiros podem produzir mais alimentos desse modo, mas os animais exigem mais cuidados. A alimentação do gado tem de ser levada até eles, e suas sujeiras precisam ser eliminadas. Nessas fazendas, as plantações crescem intensivamente e um fazendeiro pode plantar trigo, ano após ano, usando fertilizantes para enriquecer o solo melhor que com o método rotativo.
 | Animais criados na pecuária intensiva produzem muito lixo, que é estocado em lagoas de sujeira ou fossos. Muitas vezes ele vaza pela terra, poluindo a água subterrânea. |
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Lixo animal
A pecuária intensiva exige mais animais, que, por sua vez, produzem mais esterco. As fazendas de criação de gado, na Austrália e na América, são forçadas a tratar grandes quantidades de estrume. A Grã-Bretanha, sozinha, produz cerca de 20 milhões de toneladas por ano! Tamanha quantidade não pode ser reciclada naturalmente. Então, sistemas têm sido desenvolvidos para armazenar e dispor desse esterco. Na fazenda, esse lixo é mantido em fossos e depois espalhado sobre os campos. Se for mal espalhado, formando camadas espessas, os ciclos naturais de decomposição não ocorrerão. Isso faz com que uma certa quantidade desse lixo seja levado para os lençóis freáticos ou para rios e riachos, causando a poluição da água. Os fossos também podem vazar para as águas dos rios.
A poluição de rios e riachos está, sem dúvida, aumentando, e muitos incidentes estão ligados às práticas da pecuária.
A poluição dos rios e riachos por lixo orgânico pode ameaçar os ciclos vitais aquáticos. Lixo que cai na água é gradualmente decomposto por microrganismos, mas esses consomem muito oxigênio quando eliminam os poluentes. Isso pode resultar numa diminuição da disponibilidade de oxigênio a outros seres vivos, como peixes e plantas.
Fertilizantes
 | Os nitratos que os fertilizantes contêm promovem o crescimento de algas que impedem a oxigenação dos outros seres vivos na água. |
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Fazendas modernas usam fertilizantes químicos que contêm nitrogênio, para que as plantas cresçam mais rapidamente e para que aumente a produção de alimentos. Todas as plantas precisam de minerais, como o potássio, o nitrogênio e o fósforo, para crescerem. Um solo sadio pode proporcionar tudo isso, mas com o uso de fertilizantes artificiais se conseguem melhores resultados. O nitrogênio do fertilizante é decomposto pelo solo para produzir nitratos, retirados pelas plantas. Fertilizantes em excesso produzem muito nitrato e uma porção dele, que não é absorvida pelas plantas, acaba sendo levada pela chuva para os lençóis freáticos e rios. Novamente a água fica poluída, dessa vez pelos nitratos.
A água de rios e riachos é utilizada para prover água potável e há agora preocupação sobre o alto nível de nitrato saindo pelas torneiras. Calcula-se que a poluição das águas por esse elemento esteja relacionada a várias doenças, inclusive o câncer do estômago e a síndrome do "bebê azul". A Comunidade Econômica Européia estabeleceu padrões para o nível de nitrato na água potável européia, mas nem sempre eles têm sido respeitados. Em 1987, a Yorkshire Water Authority, órgão britânico responsável pela fiscalização da qualidade da água, teve de se desfazer de garrafas de água para bebês, dados os elevados níveis de nitrato.
Montanhas de grãos e lagos de leite
Fazendeiros tomaram mais eficiente a produção de alimentos, mas estarão eles produzindo demais? Na Comunidade Econômica Européia, há um grande excedente de alimentos e, para manter baixos seus preços, o que sobra é destruído ou estocado. Em 1985, 411 couves-flores, 48 pêssegos, 100 kg de tangerinas, 34 kg de tomates, 1358 laranjas e 1648 limões foram destruídos a minuto pela CEE, por causa da superprodução da agricultura. Montanhas de grãos e manteiga, lagos de vinho e leite são produzidos pela agricultura na Europa. Se menos alimentos fossem produzidos, haveria menos poluição e lixo, então seria sensato produzir-se menos alimentos. Contudo, os fazendeiros dependem da produção de alimentos para poderem sobreviver.
Referências bibliográficas
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