Caçando e matando
 | Papagaios-do-mar, corvos-marinhos e gaivotas fazem seus ninhos em rochedos longínquos e seguros, mas o número dessas avesnas ilhas Shetland tem sido severamente reduzido pela diminuição da população das enguias-da-areia. |
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O homem sempre matou outros animais para se alimentar. Em poucos lugares isso continua fazendo parte do dia-a-dia: índios na Floresta Amazônica, boxímanos em Botswana e algumas tribos de esquimós na América do Norte e na Rússia ainda caçam no estilo tradicional para conseguir alimentos.
A maioria das pessoas não tem mais necessidade de caçar por comida. Embora a caça ainda seja a causa da morte de milhões de animais silvestres, todos os anos, muitos são mortos por fazendeiros, que buscam proteger suas colheitas e criações. Esses "inimigos" dos fazendeiros são desde elefantes e tigres até besouros e moscas verdes.
Os peixes constituem a grande maioria de animais mortos anualmente. À medida que cresce a população, a produção pesqueira aumenta, ficando as áreas de pesca ameaçadas de esgotamento. O sul da Geórgia, no Oceano Antártico, é uma dessas áreas recentemente atingidas pela pesca excessiva.
As enguias-da-areia – pequenos peixes colhidos por redes de arrastão nos bancos de areia e águas rasas – também sofrem com a pesca em excesso, afetando diretamente as populações de pássaros que delas dependem para se alimentar, durante a temporada da procriação. Andorinhas-do-ártico, gaivotões e papagaios-do-mar, na região das ilhas Shetland, no norte da Escócia, tiveram sua população diminuída. Em 1981, havia 54 mil gaivotas nessas ilhas; em 1988, somente algumas centenas sobreviviam.
 | A pesca da baleia está praticamente encerrada, mas levou muitas espécies à beira da extinção. |
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O massacre das baleias
O exemplo mais dramático do dano causado a uma população animal pela caça excessiva é o das baleias. Agora que alguns países deixaram de caçá-las, há esperança de que possam se recuperar, embora uma ou duas nações ainda continuem a matá-las.
A carne e outros derivados da baleia, como o óleo, não são mais necessários para ninguém, a não ser para algumas tribos de esquimós. A comercialização da baleia permanece, porque ainda existem países que investiram muito na construção de baleeiros e os estaleiros acham que devem usá-los até que tenham sido pagos. No Japão, a carne de baleia é comercializada como artigo de luxo em alguns restaurantes e em outras regiões destina-se à fabricação de ração para animais de estimação!
Caça esportiva
 | No Parque Nacional de Yellowstone, Estados Unidos, alguns ursos negros aventuram-se a uma aproximação com as pessoas: daí terem sido removidos para áreas distantes. |
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Existe uma outra forma de caça desnecessária. Em todo o mundo, há quem se divirta caçando e matando animais por esporte. Há pouco tempo eram considerados grandes esportistas os que se aventuravam nas savanas africanas, ou nas selvas da Índia, para atirar em leões, elefantes ou tigres. Hoje esse "esporte" já quase inexiste, pois é considerado bárbaro e destruidor, sendo repudiado pela maioria das pessoas do mundo inteiro. Mas a matança de animais é um grande negócio, havendo toda uma indústria de produção e distribuição de armas e vestuário próprio para caçadores, especialmente na América do Norte. O número de animais que podem ser abatidos é cuidadosamente controlado pelas autoridades.
Muito estranho é o fato de algumas modalidades de caça terem ajudado na sobrevivência de populações silvestres. Um bom exemplo é a caça aos patos na América do Norte e Europa: as pessoas que gostam de caçálos procuram proteger os locais onde se alimentam e procriam, de maneira a haver sempre animais disponíveis para caça durante a temporada certa. Na Grã-Bretanha, as raposas são protegidas pela mesma razão.
 | Enquanto as pessoas não mudarem de idéia, animais como este leopardo-das-neves asiático, continuarão a ser raros, pois são caçados devivo à sua valiosa pele. |
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Alguns animais são mortos por serem perigosos, como os lobos que habitam a Europa e algumas regiões da América do Norte. Crocodilos, jacarés, ursos, leões, cascavéis e escorpiões estão sendo eliminados há séculos, por serem temidos pelos homens. Entretanto, algumas pessoas acreditam que esses animais têm direito à vida, assim como qualquer outro, apesar de muitos ainda discordarem dessa opinião.
Vítimas da nossa vaidade
A pior matança é a causada pela caça ilegal: matar animais somente pelo dinheiro que proporcionam. Leopardos e raposas são protegidos no mundo todo, mas como ainda existem pessoas que apreciam roupas confeccionadas com sua pele, esses raríssimos animais são irresponsavelmente abatidos para suprir exigências do mercado.
No Extremo Oriente, usam-se os chifres dos rinocerontes para elaboração de remédios. No Iêmen, um país árabe, esse chifres são utilizados na confecção de cabos de adagas cerimoniais, usadas por todo homem adulto, pelas quais esse povo dispõe-se a pagar caro: uma adaga pode custar até 50 mil dólares. Chineses vendem esses chifres em pó ou em flocos por 12 500 dólares o quilo. Sabendo disso, é fácil entender por que o rinoceronte negro está praticamente extinto na África, ao norte do Rio Zambeze.
Até quando os rinocerontes sobreviverão?
O rinoceronte javanês é a espécie de rinoceronte mais ameaçada de extinção. Vive somente no pequeno Parque Nacional de Udjung Kulong, numa remota ilha indonésia junto a Java. Não há mais do que 50 sobreviventes. Os rinocerontes sumatranos são estimados em 500 a 800 indivíduos.
 | Vários dos rinocerontes brancos existentes no mundo vivem atualmente na África do Sul. O grupo que se vê na foto faz parte da população remanescente queniana, de apenas 30 indivíduos. |
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O grande rinoceronte indiano atualmente está aumentando em número, no Nepal e na Índia, e vários estão sendo levados para recolonizar parques, onde já viveram, e depois se tornaram extintos. Hoje são mais de l 900 exemplares.
O rinoceronte branco está relativamente seguro na África do Sul, onde, em número aproximado de 4 mil, se reproduzem com sucesso. Do rinoceronte negro há mais de 4 500 indivíduos, mas têm uma distribuição muito ampla e estão sendo exterminados por caçadores. Há poucos numa reserva no Quênia, embora estejam sendo dizimados em toda a África ao norte de Zimbábue. Mesmo assim, os animais sobreviventes dessa região têm sido removidos para o sul do país, longe dos limites com a Zâmbia, onde os caçadores têm seu quartel-general.
Referências bibliográficas
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