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Um futuro promissor?


Preservação em ação

A maior organização oficial de preservação é a União Internacional para Preservação da Natureza e Recursos Naturais. Com o surgimento de especialistas em todo o mundo, essa organização gasta milhões de dólares a cada ano em preservação. Parte da verba vem do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), que tem filiais em 23 países e programas de preservação em quase 100 países.

Essas duas entidades estão comprometidas com a Convenção de Comércio Internacional de Espécies em Perigo (CITES), que controla o comércio de espécies e produtos animais, desde pássaros de gaiola e lagartos até chifres de rinoceronte e marfim. Cada vez mais países participam da Convenção (eram 96 em 1988). Existem promissores sinais de que o comércio destrutivo logo terá fim.

Nativos da Papua-Nova Guiné

Plumas de aves-do-paraíso são usados pelos habitantes de Papua-Nova Guiné, em seus trajes tradicionais. Atualmente, porém, o povo protege esses belíssimos pássarospara que os visitantes os vejam.


As tentativas de preservação mais bem-sucedidas são as realizadas nos próprios locais, convencendo as pessoas que vivem nos habitats dos animais em extinção de que elas podem ajudar. Dois casos ilustram esse sucesso.

Na Nova Guiné, os habitantes costumavam usar armadilhas para prender aves-do-paraíso, a fim de comercializar suas penas. Hoje protegem esses pássaros, que podem ser vistos em locais especialmente construídos para eles. Estes habitantes caçavam também enormes borboletas das florestas tropicais para fazer enfeites e quadros com suas asas. Hoje os habitantes locais criam-nas, para fins comerciais, em áreas protegidas das florestas, onde cultivam plantas para alimentá-las. Assim, a população de borboletas não está mais ameaçada. Ao deixarem o país, os visitantes podem ainda comprar enfeites feitos com borboletas, mas não as capturadas da natureza.

Borboletas-monarca migram de todos os lugares da América do Norte, para passar o verão nas florestas de coníferas das montanhas do México, onde se aninham. Os nativos derrubavam essas árvores para abrir clareiras, onde plantavam ou criavam gado. Hoje aprendem que as árvores têm mais valor se deixadas em pé. Visitantes de todo o mundo dirigem-se àquela região para ver o espetáculo grandioso de milhares de borboletas nas florestas das montanhas. Os habitantes vendem a eles souvenires e lanches.

Passeada de crianças

Em Pacific Grove, Califórnia, crianças fazem uma passeata especial para comemorar o dia da volta das borboletas-monarca migrantes.


Esses dois casos mostram a importância do turismo na preservação da vida silvestre. Atualmente, pode-se facilmente ir para lugares distantes, e a cada ano, mais pessoas economizam dinheiro para alguma viagem especial. Assim, além de beneficiar monetariamente os parques nacionais e os países que visitam, esses viajantes são observadores do que neles acontece. Quando voltam aos lugares de origem, recomendam os melhores locais visitados para amigos e parentes. Seus relatos também podem encorajar mais gente a doar dinheiro para o Fundo Mundial para a Natureza e outras organizações semelhantes, ajudando sua manutenção ou facilitando-lhes a realização dos programas de preservação da natureza.

Há esperança para os lêmures?

Todos os lêmures de Madagascar estão ameaçados pela destruição da floresta e pela caça, apesar de proibida por lei. Uma espécie, o aye-aye, teve que ser removida da ilha para assegurar sua sobrevivência e, em 1966, nove aye-ayes foram transferidos para a pacífica ilha de Nosy Mangabe, declarada reserva especial. Há algumas evidências de que essa pequena população tenha aumentado pouco a pouco, pois já são em número aproximado de 50 indivíduos.

Aye-aye

Um aye-aye, o mais raro dos lêmures, pode morder um coco verde para beber sua água.


Em Madagascar, a situação é ainda bastante séria, mas os malgazes pelo menos estão procurando solucionar o problema. Numa conferência, em 1970, entre o governo de Madagascar, a União Internacional para Preservação da Natureza e Recursos Naturais, o Fundo Mundial para a Natureza e outras organizações interessadas, desenvolveram um plano nacional para a preservação dos lêmures. O plano tornou-se oficial somente em 1984, mas apesar dessa demora já está apresentando resultados satisfatórios.

As áreas florestais remanescentes agora são preservadas e cercadas de "zonas-tampão". Assim a floresta pode renascer e proteger as reservas onde sobrevivem os lêmures dos efeitos da devastação e queimadas.

Para alguns lêmures de Madagascar – o lêmure-focinhudo, por exemplo – pode ser muito tarde. Para outros sobreviventes da espécie existe uma boa chance de, junto a outras, estarem a salvo nas reservas florestais.

Um caso de preservação bem-sucedida na Austrália

O mais raro gambá australiano, o gambá-pigmeu-da-montanha, foi salvo da extinção através de um engenhoso programa do WWF da Austrália. Esta pequena criatura vive somente no Monte Higginbotham, em Vitória, mas o surgimento de uma estação de esqui naquele local pôs seu futuro em risco.

Machos e fêmeas dessa espécie vivem separados grande parte do ano, reunindo-se somente na época do acasalamento. A construção de uma estrada turística alpina separou definitivamente machos e fêmeas, prejudicando a reprodução. A não ser que consigam se acasalar, esses raros gambás poderão ser extintos. Os machos que tentaram atravessar a estrada eram atropelados e mortos pelos velozes carros.

Afortunadamente, o WWF sugeriu que se construísse um túnel subterrâneo que permitisse a passagem em segurança dos gambás para poderem se acasalar. A idéia foi aprovada pelo governo de Vitória e pela Comissão de Esportes Alpinos. Assim, o túnel foi construído, tendo custado 34 mil dólares australianos. Foi um sucesso imediato, e agora eles não correm nenhum perigo.

Como uma borboleta foi salva da extinção

A grande borboleta-azul é uma bela espécie européia que tem um especial ciclo de vida. Suas lagartas precisam de um inseto que as ajude a sobreviver – uma espécie particular de formiga. Uma colônia dessas formigas "raptam" as lagartas dessa borboleta e levam-nas para seus ninhos, cuidando delas até virarem pupas, e eventualmente deixam-nas quando ficam adultas. Por que fazem isso? Porque elas são grandes apreciadoras de uma secreção açucarada produzida pelas larvas.

Borboleta-azul

Um par da grande borboleta-azul pousando num pé de tomilho-selvagem, sua fonte alimentar.


As grandes borboletas-azuis têm rareado por toda a Europa em conseqüência das mudanças nas práticas agrícolas e do uso de pesticidas.

Em 1979, desapareceram da Grã-Bretanha. Afortunadamente, foram salvas por um arrojado programa de preservação desenvolvido por três entidades: o Conselho de Preservação da Natureza, o Instituto de Ecologia Terrestre e o WWF.

Em agosto de 1986, mais de 200 lagartas foram levadas para a Grã-Bretanha, vindas de uma colônia sueca dessas borboletas. Foram soltas em um local desconhecido no sudeste da Grã-Bretanha. Em 1988, cerca de 4500 ovos foram postos por essas borboletas. Calcula-se que esse número cresça ainda mais, em um período de muitos anos, e dobre sua população.

Para garantir sua sobrevivência futura, grupos preservacionistas plantaram o tomilho selvagem – sua fonte alimentar – na área onde elas se reproduzem, assegurando também o bem-estar de sua formiga parceira.

Referências bibliográficas

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