Cultura na Redemocratização |
No dia 2 de julho de 1985, o presidente Sarney sanciona uma lei – a chamada Lei Sarney – que permite às empresas aplicar parte do imposto de renda devido no financiamento de atividades culturais. Um dia depois de tomar posse, Collor revoga essa lei e extingue a Fundação Nacional da Arte (Funarte) e a Empresa Brasileira de Filmes (Embrafilme). As medidas atingem principalmente o cinema nacional, já mergulhado numa profunda crise de produção. No governo Itamar Franco, dois ministros da Cultura, Antônio Houaiss e José Jerônimo Moscardo de Souza, demonstram interesse em recompor o esquema de patrocínio oficial na produção. Em 1993 é feita a regulamentação da lei 8.655, que institui mecanismos de fomento à atividade audiovisual e garante deduções do imposto de renda devido até o ano 2003 a pessoas físicas e jurídicas que invistam na produção de videofilmes. A produção volta a crescer. Alguns filmes são concluídos e começam várias filmagens novas, entre as quais A terceira margem do rio, de Nélson Pereira dos Santos; Sábado, de Ugo Giorgetti, Yndios do Brasil, de Sylvio Back, e Lamarca, de Sérgio Rezende.
Literatura – O mercado editorial lança algumas obras expressivas entre 1992 e 1993: Madrugada, de Edla van Steen, em que a cidade de São Paulo morre através da morte de quatro personagens; Os desvalidos, do sergipano Francisco Dantas, e O homem cordial e outros contos, de Antônio Callado. A crítica literária também ressurge em Recortes e O discurso e a cidade, de Antônio Cândido, O signo e a sibila, de Ivan Junqueira e A face oculta de Euclides da Cunha, de Miguel Reale. Na linha do ensaio historiográfico e de outras ciências humanas destacam-se O teatro dos vícios: transgressão e transigência na sociedade urbana colonial, de Emanuel Araújo, (Des)ajuste global e modernização conservadora, de Maria da Conceição Tavares e José Luís Fiori, e Conta de mentiroso: sete ensaios de antropologia brasileira, de Roberto da Matta.
Música – A década de 90 começa com o estouro comercial da música sertaneja, uma descendente urbanizada da tradicional música caipira. Entre as várias duplas que vendem milhões de discos entre 1990 e 1992 destacam-se Chitãozinho e Xororó e Leandro e Leonardo. Em 1993, porém, a MPB reage com a produção de algumas obras-primas da canção, como as incluídas no disco Paratodos, de Chico Buarque, ou em Tropicália 2, disco comemorativo da dupla baiana Caetano Veloso e Gilberto Gil. Outros dois veteranos voltam com força total em 1993: Jorge Benjor e Tim Maia. No setor juvenil, o sucesso fica com os raps e suas músicas quase faladas, destacando-se entre os cantores o carioca Gabriel, o Pensador e seu hit Loraburra. Fora do circuito comercial, proliferam os bailes funks com grupos musicais praticamente desconhecidos, mas muito concorridos nas favelas e periferia das grandes cidades.
Fernando Henrique Cardoso nasce em Botafogo, na zona sul do Rio de Janeiro e, aos 8 anos, muda-se para São Paulo. Aluno do extinto Colégio São Paulo, é eleito diretor-geral do grêmio da escola em 1946. Aos 18 anos ingressa no curso de ciências sociais da Universidade de São Paulo. Na USP conhece sua mulher, a também estudante de sociologia Ruth Corrêa Leite, com quem se casa em 1952. Livre docente em sociologia, cursa pós-graduação na Universidade de Paris e leciona em Nanterre (França), Oxford (Inglaterra) e Princeton (Estados Unidos). Publica 24 livros, dos quais destacam-se Capitalismo e escravidão no Brasil meridional e Dependência e desenvolvimento na América Latina. Com o golpe militar de 1964, exila-se no Chile e, em 1968, transfere-se para a França. Neste ano, de volta ao Brasil, torna-se professor catedrático de ciência política da USP. É aposentado compulsoriamente, meses depois, pelo AI-5. Em 1969, ajuda a fundar o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Participa da elaboração do programa do MDB em 1974 e filia-se ao partido em 1977. Um ano depois disputa a primeira eleição, para o senado. Torna-se suplente de Franco Montoro. Em 1985, perde para Jânio Quadros a disputa pela prefeitura de São Paulo, pelo PMDB. Reeleito senador em 1986, é um dos fundadores do PSDB dois anos depois. Em 1993, passa de ministro das Relações Exteriores a ministro da Fazenda do governo Itamar Franco. Lança o Plano Real. Vence as eleições presidenciais de 1994, numa coligação entre PSDB e PFL. É reeleito em 1998, numa coligação entre o PFL, PSDB e PMDB.

Referências bibliográficas
- Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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