Faixa da seção de História Geral
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Antigüidade Oriental (2)


Hebreus

Povo nômade de origem semita, recebe posteriormente a denominação de judeus. Entre 3.000 e 2.000 a.C., uma parte migra para a Galiléia, na Palestina, onde tribos cananéias estão instaladas e praticam a agricultura. Outra parte dos hebreus migra para o Egito, onde é mantida escravizada entre 1.300 e 1.220 a.C.

Período dos patriarcas – É o período em que as tribos hebréias são dirigidas de forma absoluta pelos chefes das famílias ou gens, conforme consta do Velho Testamento. Os patriarcas acumulam a função de condutores das tribos hebraicas com os cargos de sacerdotes, juízes e chefes militares. Exercem grande autoridade política e moral sobre o clã. Com a migração dos hebreus do Egito para a Palestina, entre 1.220 e 1.180 a.C., guiados por Moisés (Êxodo), começa um período de busca de uma organização política e de uma base territorial para o povo hebreu. Moisés elabora os fundamentos do judaísmo, a partir da revelação dos dez mandamentos, no monte Sinai.

Período dos juízes – Dura de 1.200 a 1.010 a.C., quando as 12 tribos hebréias se organizam em confederação político-religiosa para defender seus santuários. A confederação é governada por juízes (chefes militares cuja autoridade tem fundamentação religiosa) que vigiam o cumprimento do culto e da lei hebraica.

Período dos reis – A partir de 1.010 a.C., o reino unificado das 12 tribos se expande, domina todas as cidades-Estado cananéias até 926 a.C.

Salomão, filho de David, rei de Israel. Governa como déspota depois da morte de David. Constrói fortalezas e faz de seu exército o mais bem-equipado. Durante seu reinado, de 970 a.C a 931 a.C., protege as artes e o comércio, estabelecendo boas relações com Fenícia, Síria e Arábia. Sua mais importante realização é a construção do templo de Jerusalém, centro da unidade nacional dos hebreus. Compõe obras poéticas e escreve o Cântico dos cânticos.

Cisma – Por disputas internas, os hebreus se dividem, em 926 a.C., nos reinos de Judá, ao sul (capital, Jerusalém), e Israel, ao norte (capitais sucessivas em Sichem, Tiza, Penuel e Samaria). Judá e Israel voltam a unificar-se em 852 a.C., para defender-se dos reinos vizinhos.

Domínio estrangeiro na Palestina – Em 586 a.C., os hebreus são dominados pelos babilônios e submetidos à escravidão ou deportados. Entre 539 e 332 a.C., o domínio persa sobre a Babilônia permite que reconquistem certa liberdade e parte dos deportados retorna à Palestina. Entre 332 e 140 a.C. sofrem a dominação macedônica. De 140 a 63 a.C. a estirpe dos asmoneus consegue restabelecer o reino hebreu, que é aniquilado e repartido quando a Palestina é incorporada ao Império Romano.

Diáspora – Entre 66 e 70, sob o Império Romano, os judeus se rebelam contra a obrigação de render culto ao imperador. Em 133 são expulsos de Jerusalém. Começa ai a diáspora ou dispersão dos judeus pelo mundo.

Economia e sociedade hebraicas – Os hebreus praticam a agricultura, o pastoreio e o artesanato, mas destacam-se sobretudo no comércio com a Arábia. Têm por base social o trabalho de escravos e servos.

Organização política hebraica – Até 1.010 a.C., as tribos confederadas elegem juízes para vigiar o cumprimento do culto e da lei. A partir de então unificam-se em torno de um governo monárquico. Cargas impositivas e corvéias sobre as demais cidades do reino, para manter os gastos da corte, dos palácios e templos de Jerusalém, provocam conflitos e desordens internas. Com a divisão do reino, governos tirânicos se estendem até 586 a.C., quando os judeus caem sob o domínio babilônico.

Religião hebraica – Produz construções monumentais e uma literatura dispersa, mas muito importante, contida principalmente na Bíblia e no Talmud. É uma das primeiras religiões monoteístas da História, estabelecida durante o êxodo do Egito para a Palestina. Seu deus é Jeová e o culto centrado na Arca da Aliança, símbolo da terra prometida. Durante a dominação macedônica (332-140 a.C.) ocorre um cisma entre samaritanos (hebreus da Samaria) e judeus, e entre helenistas e ortodoxos. Esse cisma desdobra-se na constituição de três grandes grupos religiosos entre os judeus: fariseus (ortodoxos), saduceus (conservadores) e essênios (monásticos). Durante a dominação romana multiplicam-se as seitas e pregadores judeus.

Exemplar antigo da Bíblia

Fenícios

Povo de origem semita que ocupa uma estreita faixa do litoral da Palestina. Tem como limites terrestres os montes Casio (ao norte) e Carmelo (ao sul) e o Líbano (a leste). As cidades-Estado autônomas Arados, Biblos, Beritos (atual Beirute), Sidon e Tiro instauram a Fenícia como federação política. Entre 1.000 e 774 a.C., Tiro assume a hegemonia.

Expansão marítima fenícia – Por meio do comércio e atividades de guerra marítima, Tiro coloniza o sul da península Itálica, parte da Sicília, litoral sul da península Ibérica e norte da África, onde funda Cartago em 814 a.C. Entre 800 e 586 a.C., a Fenícia é invadida e dominada pelos assírios, depois pelos babilônios e persas e, finalmente, pelos macedônios, em 332 a.C. Com a queda de Tiro, em 332 a.C., a hegemonia fenícia passa para Cartago. A disputa pela hegemonia marítima no Mediterrâneo leva os cartagineses a prolongadas guerras contra Roma (Guerras Púnicas), que destrói Cartago em 146 a.C.

Economia e sociedade fenícias – O comércio marítimo é a principal atividade econômica das cidades-Estado fenícias. Realizam intercâmbio com as cidades gregas e egípcias e as tribos litorâneas da África e Ibéria, no Mediterrâneo. Através do mar Vermelho e de caravanas terrestres, atingem a Mesopotâmia e a Índia. À medida que colonizam regiões litorâneas, introduzem a servidão e a vassalagem das tribos e utilizam trabalho escravo. Possuem uma forte classe de comerciantes ricos.

Organização política fenícia – Tem por base os clãs familiares, detentores de riquezas e poder militar. Cada cidade-Estado é governada por um rei, indicado pelas famílias mais poderosas. A partir de 330 a.C., com a submissão das cidades fenícias da Palestina, Cartago evolui para a eleição de um conselho governativo. Elege os generais do exército e da frota e separa a administração dos assuntos civis dos assuntos militares.

Cultura e religião fenícias – Por volta do 1.000 a.C. os fenícios já possuem um alfabeto, posteriormente adotado pelos gregos e a partir do qual é criado o alfabeto latino. Desenvolvem técnicas de navegação e de fabricação de embarcações. Aperfeiçoam a arte do vidro, dos tecidos e do artesanato metalúrgico. Sua religião é politeísta, com cultos e sacrifícios humanos.

Hititas

Nômades procedentes do Cáucaso, estabelecem um reino na Capadócia em 1.640 a.C., tendo Kussar como capital. Desenvolvem uma política expansionista contra a Síria, Babilônia e Egito, mas não conseguem resistir à invasão dos gregos (aqueus) em 1.200 a.C.

Política e sociedade hititas – Desenvolvem a mineração de ferro, agricultura, artesanato e comércio por meio de mercados e caravanas. Servos e escravos (prisioneiros de guerra ou por dívidas) encarregam-se do trabalho. Uma classe de comerciantes ricos e a nobreza cuidam dos negócios do Estado por meio de uma monarquia hereditária. O rei, ajudado pela rainha e pela nobreza, é juiz supremo, sumo sacerdote e chefe do exército.

Religião e cultura hititas – São politeístas, com divindades da natureza, e realizam cultos sob influência babilônica. Desenvolvem a escrita hieroglífica e a cuneiforme. Possuem normas de direito nas quais são reguladas penas pecuniárias, privação de liberdade e escravização para diferentes tipos de delitos.

Cretenses

No final do período neolítico, a população da ilha de Creta, no Mediterrâneo, é composta de agrupamentos heterogêneos que já conheciam a metalurgia do bronze, a agricultura e a construção de embarcações. A partir de 2.600 a.C. os cretenses constroem povoados portuários, como Cnossos, Festos e Maliá, através dos quais comerciam cereais, vinho e azeite com os gregos, egípcios e palestinos. Por volta de 1.450 a.C. são dominados pelos aqueus.

Economia e sociedade cretenses – Praticam a agricultura, a metalurgia do bronze e do ouro e a construção de embarcações. Desenvolvem um ativo comércio marítimo. O trabalho é exercido por escravos, pertencentes aos proprietários territoriais e aos comerciantes. Constantes terremotos na região obrigam os cretenses à reconstrução freqüente de seus povoados.

Organização política cretense – Os cretenses adotam o modelo egípcio, com uma administração centralizada no rei e baseada no domínio marítimo (talassocracia). Com a hegemonia dos aqueus, a ilha passa a ser governada por um príncipe estabelecido no palácio de Cnossos. Esse palácio é incendiado em 1.425 a.C., durante uma fracassada rebelião dos nativos cretenses contra os ocupantes aqueus.

Cultura e religião cretenses – Os cretenses são politeístas e reverenciam deuses animais e humanos. Desenvolvem a arte de construção de grandes palácios, adornos de ouro, cerâmica, escritura pictográfica e afrescos.

Persas e medos

São tribos nômades aparentadas dos escitas, do Cáucaso, que se deslocam para os altiplanos do Irã, mesclando-se a outras tribos locais. Por volta de 700 a.C. possuem inúmeras cidades-Estado, como Ecbatana, Pasárgada e Persépolis, sob hegemonia meda.

Império Persa – A expansão começa em 559 a.C., com a fundação do Império Aquemênida de Ciro II. Os persas conquistam os medos, consolidam sua hegemonia no Irã, anexam a Lídia, submetem as cidades gregas da Ásia Menor, conquistam a Babilônia e chegam aos territórios indianos. Sob o reinado de Dario I, conquistam o Egito (515 a.C.), a região do Indo (513 a.C.), a Trácia e a Macedônia (512 a.C.). As cidades gregas da Ásia Menor sublevam-se em 500 a.C. e os babilônios e egípcios em 486 a.C. Em 386 a.C., a Ásia Menor cai novamente sob o domínio persa, como resultado da guerra do Peloponeso. Em 330 a.C. os persas são submetidos ao Império Macedônico.

Ciro, o Grande (559 a.C.-529 a.C), filho de Cambises, príncipe persa, é o fundador do Império Persa dos aquemênidas. Na infância é educado por pastores. Posteriormente, torna-se guerreiro. Notável administrador, recebe o título de "Rei do Mundo". Funda a cidade de Pasárgada e estabelece um sistema de correios. Grande estrategista militar, trata bem os vencidos, respeitando seus costumes e religião, o que garante estabilidade ao império. Organiza um exército moderno que utiliza a tática do assalto com arqueiros montados e o combate de massas de soldados. Conquista o reino da Lídia, a Babilônia e as colônias gregas da Ásia Menor. É mencionado na Bíblia como o soberano que libertou os judeus ao conquistar a Babilônia.

Dario, o Grande (522 a.C.-486 a.C), genro e conselheiro de Ciro, destaca-se como administrador e guerreiro. Assume o poder após derrotar a tentativa de usurpação do trono pela casta sacerdotal, em 521 a.C. Dá continuidade aos planos de hegemonia universal de Ciro, conquista a Trácia e a Macedônia, mas fracassa na tentativa de submeter os gregos. Implanta a economia monetária, tendo o dárico como unidade, e reestrutura o império, dividindo-o em satrapias para facilitar a administração. Constrói estradas que ligam as satrapias às cidades onde reside o soberano. A "estrada real", entre Sardes e Susa, tem 2.500 km.

Economia e sociedade persas – Praticam a agricultura, a pecuária, o artesanato, a mineração de metais e pedras preciosas e a metalurgia. Realizam intenso intercâmbio comercial, construindo estradas e canais para facilitar o transporte. Implantam economia monetária, adotam um sistema de pesos e medidas e instituem impostos de quantia fixa. Na base de sua estrutura social estão os servos e escravos e, no topo, a nobreza territorial, militar e burocrática.

Organização política persa – Evoluem da organização em clãs para uma monarquia absoluta de caráter teocrático, em 559 a.C., sob Ciro II. O império é dividido em 20 distritos ou satrapias, governadas por membros da casa real ou da nobreza local. Os sátrapas têm a função de coletar tributos, manter os exércitos permanentes e mobilizar a população para os trabalhos em obras públicas.

Cultura e religião persas – Compreende uma literatura bastante diversificada, particularmente a religiosa. No Avesta constam os hinos (ghatas) e os ensinamentos de Zaratustra (ou Zoroastro), que prega a sinceridade e a adoção do bem e da verdade, contra o mal e a mentira. A fusão dos preceitos de Zaratustra com a religiosidade popular resulta no mazdeísmo.

Chineses

Desde o período pré-histórico diferentes povos ocupam a região da China. O primeiro reino dinástico surge por volta de 2.000 a.C. Sucedem-se disputas e guerras pela hegemonia por quase 2 mil anos. A primeira unificação é realizada pela dinastia Chin, em 221 a.C., substituída pela dinastia Han ocidental, em 206 a.C.. Os Han mantêm a centralização dinástica, derrotam a tentativa de invasão dos hunos e expandem sua hegemonia pela Ásia Central e Sudeste Asiático. No século I, a dinastia Han amplia seu território até o golfo Pérsico.

Organização política e social chinesas – A sociedade evolui da forma comunal para a propriedade da nobreza territorial. Os camponeses tornam-se servos, pagando obrigações aos senhores territoriais. Com o tempo, os servos são incorporados ao exército. Nas cidades, ganham importância os nobres, funcionários burocráticos, comerciantes e artesãos. As dinastias têm organização monárquica, com o rei centralizando as funções administrativas e sacerdotais.

Economia chinesa – Até o século VIII a.C., desenvolvem-se a agricultura e a metalurgia de cobre e bronze. A partir de 700 a.C. ganham importância as cidades, o comércio, o artesanato e a fabricação da seda, tecidos e utensílios cerâmicos. Surge um sistema monetário e de pesos e medidas. Entre o século I a.C. e o século III são introduzidas novas técnicas agrícolas (rotação de culturas, adubação, consorciação), e inventados o papel e a bússola. A partir do século I a.C. desenvolve-se o comércio transcontinental através da Rota da Seda, que liga a China ao mar Negro, e da navegação marítima.

Cultura e religião chinesas – A escrita por ideogramas surge por volta de 2.000 a.C. Os literatos e filósofos produzem uma cultura rica e diversificada. Destacam-se Kung-tse (Confúcio), Lao-tse e Mo-Ti, entre os anos 600 e 400 a.C. A religião dos primeiros chineses é politeísta, com divindades da natureza e culto aos antepassados. No século VI a.C., os ensinamentos de Lao-tse, baseados no tao (origem e fonte do que existe e da verdade), transformam-se em religião. O budismo começa a ser difundido a partir do século I a.C.

Escultura chinesa

Hindus

Povoamentos neolíticos situam-se no vale do Indo e do Ganges desde antes de 3.000 a.C. Em 500 a.C., a Índia é invadida pelos persas. Em 327 a.C. a expedição de Alexandre, o Grande, chega até o vale do Indo. Em 272 a.C. o reino de Asoka se impõe aos demais, mas em 185 a.C. o país se dissolve em diversos reinos independentes. Essa situação se prolonga até o ano 320 da era cristã, quando a dinastia Gupta, estabelecida em Pataliputra, antiga capital do império de Asoka, conquista a hegemonia. As incursões escitas e de hunos destroem a dinastia Gupta em 535, dividindo o reino em dois Estados.

Economia e sociedade hindus – Possuem agricultura avançada, irrigada por canais. Trabalham os metais (exceto o ferro) e realizam um intenso comércio fluvial. Durante a dominação ariana ocorrem mudanças na propriedade rural, com a repartição familiar das terras, o cultivo de cereais e a criação de gado. A organização social passa a obedecer a um regime de castas. Os guerreiros (chátrias) e sacerdotes (brâmanes) são as castas superiores. As castas inferiores são formadas pelos camponeses (vaisia) e servos (sudras), que trabalham em regime servil. Os párias, marginalizados, são pessoas sem casta que podem ser escravizadas. O Código de Manu, elaborado pela casta sacerdotal, determina as regras econômicas, administrativas, jurídicas e morais da sociedade.

Cultura e religião hindus – Apresentam edificações com cerâmica, em formas geométricas, artesanato de jóias de metal e gravuras com representações religiosas e animais. A religião é politeísta, com a deusa Shiva ocupando o centro do panteão. A cultura e a religião védica dos arianos são introduzidas a partir de 1.500 a.C. Os Vedas (saber sagrado) constituem os mais antigos documentos da literatura sacra da humanidade. Admitem inúmeras divindades subjetivas (Verdade, Juramento) e naturais (Aurora, Fogo, Sol). Por volta de 525 a.C., o príncipe Sidarta Gautama se torna Buda e passa a difundir as quatro verdades do budismo.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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