Faixa da seção de História Geral
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Era dos impérios


Na segunda metade do século XIX, os Estados Unidos, a Alemanha e a França ingressam num processo de desenvolvimento industrial nos moldes do Reino Unido e, junto com este, transformam-se em impérios coloniais. Acelera-se o fim da Santa Aliança e acirram-se as disputas por novos mercados. Os impérios Austro-Húngaro e Russo, embora atrasados em seu desenvolvimento econômico, permanecem potências territoriais e militares e também intervêm na disputa. O Japão desponta como potência industrial asiática.

Reino Unido – Termina em 1880 sua primeira fase expansionista mundial. A partir de então consolida seu domínio sobre a Índia (1876), ocupa o Egito (1882), conquista a Rodésia (atuais Rep. Dem. do Congo e Zimbábue), Somália, Quênia, Uganda, Sudão e os Estados criados por descendentes de holandeses (bôeres) no extremo meridional da África, entre 1877 e 1899. Os territórios vizinhos à Índia e as ilhas do Pacífico são colonizados entre o final do século XIX e o início do século XX.

Guerra dos Bôeres – Começa em 1889, em conseqüência da anexação britânica do território do Transvaal, no sul da África, em 1877. Ocupado pelos bôeres (descendentes de colonizadores holandeses) desde 1852, o Transvaal é rico em jazidas de diamantes, ouro e ferro, que despertam o interesse inglês. Os bôeres conseguem algumas vitórias iniciais, mas são esmagados pela superioridade britânica em tropas e armamentos. A Paz de Vereeniging, em 1902, permite a autonomia administrativa aos bôeres e reconhece o africâner como idioma oficial.

França – A exportação de capitais, a política colonial e a disputa pela hegemonia mundial integram a política externa francesa já antes da implantação do Segundo Império por Napoleão III, em 1852. A França conquista e coloniza a Argélia, a partir de 1830. Em 1842 adquire concessões territoriais na Oceania (Marquesas e Taiti). Adquire o Gabão, em 1843, e explora o Congo e a África equatorial a partir de 1852. Amplia as possessões no Senegal, fundando Dacar, em 1857. Por volta de 1860, a França se converte numa nação industrializada com desenvolvido sistema financeiro. Participa na guerra da Criméia, entre 1854 e 1856, e na guerra de unificação italiana, em 1859, e realiza uma expedição para submeter o México, em 1861. Constrói o Canal de Suez e transforma o Egito em protetorado, entre 1859 e 1869. Em 1870, Napoleão III declara guerra à Prússia para frear a unificação e o expansionismo alemão.

III República – As derrotas militares e o aprisionamento de Napoleão instalam uma crise no regime, a queda do Segundo Império e a proclamação da III República. A capitulação de Paris, os termos da paz e o agravamento dos conflitos sociais conduzem à insurreição da Comuna de Paris, em 1871. Superada a crise interna, a França continua expandindo seu império colonial. Estabelece o protetorado sobre o Anam (Indochina), em 1874. Instaura o protetorado da Tunísia, entra no Saara e ocupa o Sudão ocidental, em 1881. Submete Madagascar, em 1895, e intervém na China, obtendo concessões territoriais, em 1899. Ocupa o Marrocos em 1906.

Império alemão – Mantém a hegemonia prussiana, com o poder central controlando as Forças Armadas, a alfândega, o comércio e as comunicações. Os Estados federados são autônomos em matéria administrativa, Justiça e cultura. O órgão supremo do Reich (império) é o Conselho Imperial, cujo presidente é o imperador. A política econômica volta-se para o liberalismo. Unifica o direito, as áreas econômicas, os pesos e medidas e a moeda. Cria o Banco Nacional e promulga leis tributárias e alfandegárias protecionistas. Estabelece uma legislação anti-socialista, que é abolida em 1890 diante da vitória eleitoral dos socialistas. Em 1879 os produtos industriais alemães disputam mercados com a Inglaterra e os Estados Unidos, obrigando a promulgação de leis protecionistas. Entre 1882 e 1890, a política expansionista alemã restringe-se à fundação da Liga Colonial e da Sociedade para a Colonização e ao estabelecimento de protetorados na África. A partir de 1

Império norte-americano – Depois da Guerra de Secessão, com a transformação agrícola do sul, a crescente produção de cereais, a mineração, a indústria e os transportes crescem rapidamente nos Estados Unidos. Entre 1880 e 1890 são construídas quatro ferrovias transcontinentais. A produção de aço e de máquinas e a descoberta de petróleo impulsionam a criação da indústria automobilística, que se torna propulsora do desenvolvimento econômico norte-americano no início do século XX. Em 1914 o país já tem 250 mil automóveis. Em 1915 os Estados Unidos são o maior produtor mundial de ferro, carvão, cobre, prata e petróleo.

Monopólios – A acumulação de capital, estimulada pela política tributária protecionista, concentra a propriedade industrial e financeira nas mãos de algumas poucas famílias como os Astor, no comércio de peles, Rockefeller, na extração e comércio de petróleo, Vanderbilt, nas estradas de ferro, Carnegie, no aço, e Morgan, na química e finanças. Em 1913, as famílias Morgan e Rockefeller controlam 20% do patrimônio nacional, com 341 empresas e US$ 22 bilhões de capital. A concentração industrial é realizada por meio de uma forte exploração da força de trabalho, que enfrenta longas jornadas e salários baixos.

Federação Americana do Trabalho – Surge em 1866 como reação às duras condições de trabalho da indústria norte-americana. A partir de então multiplicam-se as greves. Só em 1886 é implantada a jornada de oito horas diárias. A reação às políticas internas monopolistas força a adoção de leis antitruste a partir de 1903, incluindo a supressão da legislação protecionista e a introdução de impostos de natureza progressiva.

Política externa expansionista – A influência das famílias monopolistas sobre a política externa norte-americana conduz ao expansionismo econômico (imperialismo do dólar) e à intervenção política e militar, primeiro na América Latina e depois em outras regiões. O intervencionismo começa com a Doutrina Monroe e desdobra-se, com Theodore Roosevelt, em 1903, para a doutrina do big stick (grande porrete), que defende o direito dos Estados Unidos de intervir militarmente sempre que a presença estrangeira ameaçar o continente americano.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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