Mudanças nos Estados Unidos
A corrida armamentista com a União Soviética, a derrota militar no Vietnã, a presença hegemônica americana em todo o mundo, o predomínio do sistema financeiro, as crises do petróleo e a concorrência de produtos alemães e japoneses introduzem mudanças na economia americana, que entra num período de relativo declínio. Essa situação influi na posição mundial dos Estados Unidos.
Declínio econômico – Caracteriza-se por perda do poder competitivo das indústrias e da agricultura americanas, aumento constante do déficit comercial, predomínio do sistema financeiro sobre o produtivo e pela transformação dos Estados Unidos, de maior credor internacional, em maior devedor mundial. Durante as décadas de 70 e 80 as empresas japonesas e alemãs introduzem com mais rapidez as inovações da nova revolução tecnológica, reduzindo custos e produzindo em escala superior. A revolução verde iniciada nos anos 60 faz com que a maioria dos antigos países importadores de alimentos e matérias-primas agrícolas se torne auto-suficiente ou exportador de alimentos a custos mais baixos. O volume global das exportações americanas durante os anos 70 e 80 cai, enquanto o volume das importações cresce sem parar. O salto nos preços do petróleo após a crise de 1973 agrava as despesas de importação. Em alguns anos o déficit atinge cifra superior a US$ 100 bilhões. Para sustentar a corrida armamentista e a política externa hegemônica, assim como os déficits comerciais, o governo americano toma dinheiro no mercado internacional, principalmente no mercado japonês. No final dos anos 80, os Estados Unidos pagam mais de US$ 100 bilhões anuais de juros. O sistema financeiro acelera sua expansão durante o governo Reagan (1981-1988), cuja política econômica privilegia os juros altos, as isenções de impostos nas operações financeiras e os cortes nos programas assistenciais. Esse privilégio encarece a produção e agrava o declínio competitivo americano.
Ampliação dos direitos civis – Ocorre como conseqüência das lutas dos negros e outros segmentos da população americana desde os anos 60. A lei sobre direitos civis, de 1964, estabelece a igualdade de direitos entre negros e brancos e é complementada, no ano seguinte, pela lei que proíbe negar o direito de voto à população negra. Os movimentos pela paz, a partir de 1967, culminam com os acordos de Genebra e a retirada das tropas americanas do Sudeste Asiático, em 1973, no governo do presidente Richard Nixon, que deixa o cargo em 1974 sob a ameaça de sofrer o impeachment por violação dos direitos civis no caso Watergate.
Richard Nixon (1913-1994), político norte-americano que notabiliza-se inicialmente como um dos incentivadores da campanha anticomunista dos anos 50, como assessor do senador Joseph McCarthy. Em 1960 concorre à presidência pelo Partido Republicano, mas é derrotado por John Kennedy. Torna-se presidente dos Estados Unidos em 1968 e é reeleito em 1972. Apesar de ser considerado um dos mais duros anticomunistas americanos, inicia uma política de distensão com o Vietnã que acaba por retirar os Estados Unidos da guerra, em 1973. Também promove o início da "détente" (distensão) com a União Soviética e aproxima-se da China, com a chamada política do ping-pong, a partir da visita do secretário de Estado de seu governo, Henry Kissinger, a Pequim, em 1971. As investigações do caso Watergate levam Nixon a renunciar em 1974, antecipando-se ao decreto do impeachment pelo Congresso.

Caso Watergate – Durante a campanha eleitoral de 1972, um grupo de homens é detido pela polícia ao invadir à noite a sede do Partido Democrata, de oposição, no edifício Watergate, em Washington. O jornal The Washington Post revela o envolvimento do grupo com colaboradores diretos do presidente Nixon, que são demitidos e processados. Durante a investigação oficial que se segue são apreendidas fitas gravadas que demonstram que o presidente tinha conhecimento das operações "sujas" contra a oposição. Em 8 de agosto de 1974, antes que o impeachment seja votado, Nixon renuncia e é substituído na Casa Branca por seu vice, Gerald Ford, cuja primeira medida é assinar uma anistia para todos os crimes que Nixon porventura tenha cometido.
Manutenção do poderio militar – Depois da derrota no Sudeste Asiático, o governo do presidente Ronald Reagan retoma a corrida armamentista em 1979, com o projeto Guerra nas Estrelas e a instalação de mísseis nucleares de médio alcance nos países aliados europeus. O projeto Guerra nas Estrelas objetiva colocar no espaço um escudo protetor antimísseis. Essa decisão gera uma onda de protestos pacifistas. Em virtude da produção de armas, os Estados Unidos consomem mais de 12% de seu orçamento nacional em gastos militares (cerca de US$ 400 bilhões anuais). Em 1987 os Estados Unidos renunciam ao projeto Guerra nas Estrelas e iniciam negociações sobre armas nucleares com a União Soviética. Um acordo sobre eliminação de mísseis de longo alcance, assinado em novembro, prevê a eliminação dos SS-20 soviéticos e dos Pershing-2 e Cruise, dos EUA. O fim da corrida armamentista com a URSS, que reduz drasticamente o perigo do confronto nuclear entre as superpotências, não afeta o predomínio americano no terreno das armas convencionais.
Limitações da política externa – Aparecem à medida que os Estados Unidos tentam manter sua política hegemônica. Os aliados dos norte-americanos apresentam crescente autonomia em suas decisões. Essas limitações começam com a derrota no Vietnã, a retirada das tropas americanas do Sudeste Asiático e o acordo de limitação das armas estratégicas ofensivas, em 1975, durante o governo Ford. As tentativas do governo Carter, em 1978, de retomar a iniciativa hegemônica, interferindo na crise do Oriente Médio, não conseguem superar aquelas limitações, que são ressaltadas com o fracasso do resgate dos reféns na embaixada em Teerã. O governo Reagan procura retomar a iniciativa, promovendo o fim da crise dos reféns no Irã, em troca do fornecimento de armas (1981), estimulando o Iraque na guerra contra o Irã (1981-1988), aumentando a presença militar americana no Líbano (1982) e intensificando a pressão contra as forças esquerdistas na América Central, com a invasão de Granada (1982), o apoio à ditadura direitista em El Salvador e o envio maciço de ajuda militar aos guerrilheiros anti-sandinistas da Nicarágua, os "contras". A retomada da iniciativa militar dos EUA prossegue durante o governo de George Bush (1988-1992).
Referências bibliográficas
- Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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