Faixa da seção de História Geral
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Mundo em conflito


Nas décadas de 60 a 80, multiplicam-se os conflitos regionais. Em muitos deles, como no Sudeste Asiático e no Afeganistão, há a participação direta dos exércitos norte-americano e soviético. Ocorre também uma série de acontecimentos que escapam à órbita das potências hegemônicas, como o ressurgimento dos conflitos étnicos na Ásia e na África.

Guerra do Vietnã

Desde fevereiro de 1955, os EUA, aliados de Ngo Dinh Diem, católico e favorável à contenção do comunismo na Ásia, tinham começado a treinar sul-vietnamitas para lutar contra o Vietminh. Em outubro de 1955, Ngo destrona o imperador Bao Dai e proclama-se presidente do Vietnã do Sul. A resistência a seu regime organiza-se na Frente Nacional de Libertação (FNL), em dezembro de 1960, e no Exército vietcong, em fevereiro de 1961. Em resposta, Kennedy aumenta para 15 mil o número de conselheiros militares no sul.

A intervenção – É decidida em 1964, por Lyndon Johnson, marcando o início da fase de escalada de guerra, após o assassinato de Ngo. Em outubro do mesmo ano, o comandante-em-chefe americano, general William Westmoreland, chefia 148 mil homens; em 1969, esse número aumenta para 541 mil. Quando os vietcongs ocupam Hué, em janeiro de 1968, Johnson manda suspender os bombardeios. Em maio de 1968, iniciam-se, em Paris, as conversações Hanói/Washington, ampliadas, no ano seguinte, com a participação de Saigon e da FNL; mas arrastam-se porque os EUA recusam a exigência de Hanói de que suas tropas sejam retiradas. Os protestos dos pacifistas criam para Washington uma situação insustentável.

Internacionalização – Desde maio de 1964, os EUA tinham começado a bombardear as regiões controladas pelo Pathet Lao, para destruir a Trilha Ho Chi Minh, dentro do território laociano, usada pelos norte-vietnamitas para transportar tropas e suprimentos para os vietcongs. Ao mesmo tempo, a máquina de guerra americana apoiava o Exército real laociano, de Suvana Fuma, contra os esquerdistas, situação que só teria fim com um acordo assinado em 21/2/1973. Em março de 1970, com o pretexto de destruir "santuários" comunistas, o presidente Richard Nixon, de comum acordo com o general Lon Nol, que derrubara o príncipe Sihanuk, ordena bombardeios às áreas do Camboja ocupadas pelo Khmer Vermelho. Decide ainda ataques de intensidade sem precedentes a Hanói (março, outubro e dezembro de 1972), em represália pela tomada de Quang Tri pelos vietcongs.

Acordo de Paris – Negociado pelo secretário de Estado Henry Kissinger e pelo chanceler norte-vietnamita Le Duc Tho, só é obtido em 27/1/1973. Estabelece o cessar-fogo, a retirada das tropas norte-americanas, a convocação das eleições gerais no Vietnã do Sul e a libertação dos prisioneiros de guerra (595 americanos, 26 mil sul-vietnamitas e 4 mil membros da FNL). Os EUA perdem 45.941 soldados, têm 800.635 feridos e 1.811 desaparecidos em ação (até hoje afirma-se que há homens presos em vários locais do sudeste asiático). Não há estatísticas seguras sobre as baixas vietnamitas, mas sabe-se que ultrapassaram 180 mil.

Vietnamização – Com a retirada norte-americana, o governo de Nguyen Van Thieu se enfraquece diante do avanço das tropas vietcongs: em 21/4/1974, ele renuncia e foge para os EUA. Em 30/4/1975, o general Duong Van Minh assina a rendição. Saigon é rebatizada como Cidade de Ho Chi Minh e, no ano seguinte, o país é unificado.

John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), filho de uma rica e tradicional família católica de Massachussets, de origem irlandesa, assume a Presidência dos Estados Unidos em 1960. Imprime ao governo uma ação de enfrentamento direto à expansão socialista e, ao mesmo tempo, de apoio a medidas de cunho social no Terceiro Mundo. É responsável tanto pela Aliança para o Progresso, para pacificar a América Latina, quanto pela invasão frustrada da baía dos Porcos (Cuba) e pelo maior envolvimento dos EUA no Vietnã. Usa seu charme pessoal e de sua mulher, Jacqueline, como armas de carisma político. Seu assassinato, em 1963, durante um desfile em Dallas, gera polêmica até hoje. As investigações oficiais mantêm a versão da responsabilidade individual de Lee Oswald no crime.

Laos

Durante a guerra contra o Japão forma-se o movimento nacionalista Lao Issarak, com participação comunista e nacionalista, que conquista a autonomia laociana em 1949. Nesse ano surge também o Pathet Lao, com predomínio comunista, que apóia a guerra do Vietminh e estabelece bases revolucionárias na fronteira. A independência, em 1954, leva à formação de um governo de coalizão, que se desagrega em virtude da guerra civil entre o Pathet Lao e os nacionalistas. O conflito se estende até 1964, quando as tropas do Pathet Lao ocupam a planície dos Jarros. Mas os Estados Unidos intervêm, bombardeando a trilha Ho Chi Minh e dando apoio militar às tropas nacionalistas do príncipe Suvana Fuma. O conflito prossegue até fevereiro de 1973, quando é assinado o Acordo de Paris.

Guerra do Camboja

Reconhecido como parte da União Francesa, o Camboja institui a monarquia constitucional em 1946, tendo o príncipe Norodom Sihanouk como chefe de Estado. Declara-se neutro na guerra vietnamita entre 1946 e 1954, quando sua independência é reconhecida. Em 1970, a pretexto de destruir santuários vietcongs em território cambojano, os Estados Unidos patrocinam um golpe militar e intervêm com tropas próprias. A guerra reúne numa frente comunistas (Khmer Vermelho) e monarquistas. Os Estados Unidos retiram suas tropas em 1973, em decorrência do Acordo de Paris. Os nacionalistas de direita proclamam a República e tentam derrotar militarmente a frente Khmer-Sihanouk. Esta ocupa a capital, Pnom Penh, em 1975. Os monarquistas aceitam a República. Nas eleições de março de 1976, Sihanouk é eleito presidente e forma um governo de coalizão com o Khmer. Desentendimentos sobre o programa de reconstrução do país obrigam Sihanouk a retirar-se, deixando o Khmer Vermelho formar um governo exclusivo em abril de 1976.O novo governo do Khmer implanta então seu programa: força a transferência da população das cidades para o campo, reduz drasticamente a atividade industrial e isola o país. Dirigido pelo Partido Comunista do Kampuchea (novo nome do país), sob a liderança de Pol Pot, o governo se aproxima da China e rompe relações com o Vietnã.

Invasão vietnamita – Em dezembro de 1978, o Camboja é invadido por tropas do Vietnã, que instalam no poder dissidentes cambojanos rompidos com o Khmer. Inicia-se uma guerra de guerrilhas, sob o comando de Pol Pot, líder do Khmer Vermelho. O novo governo não é reconhecido internacionalmente e Pol Pot apresenta-se, inclusive na ONU, como representante legítimo do país. Durante dez anos, o país, já devastado durante o regime do Khmer, convive com intensa guerra civil. Forçadas pela aliança das forças oposicionistas, sob a presidência do príncipe Sihanouk e vice-presidência de um líder do Khmer Vermelho, as tropas vietnamitas deixam o Camboja em 1989. O plano de paz da ONU, acordado em agosto de 1990, prevê a criação de um Conselho Nacional Supremo de Transição (CNST), o desarmamento das forças em luta, retirada de todas as forças estrangeiras, integração das forças armadas guerrilheiras num exército nacional unificado e convocação de eleições. O acordo de paz é assinado em Paris, em outubro de 1992, com a formação do CNST, tendo o príncipe Norodom Sihanouk como presidente. A ONU envia contingentes de paz para garantir o cumprimento do acordo.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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