Faixa da seção de História Geral
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Mundo Pós-Primeira Guerra


O mundo sai da Primeira Guerra Mundial com a Europa em crise. Reino Unido e França perdem sua supremacia. Estados Unidos, União Soviética e Japão convertem-se nos principais protagonistas da política mundial. Na década de 30, com a ascensão do nazismo, a Alemanha volta a disputar a hegemonia mundial.

Japão

Trinta anos depois da abertura do país (1868), o Japão já é uma potência econômica e industrial. A vitória na guerra contra a Rússia (1905) marca o começo de sua expansão, acelerada durante a Primeira Guerra Mundial. O país constrói uma poderosa marinha de guerra (a terceira maior do mundo em 1919) e amplia suas possessões na China, Coréia e Indochina. A crise econômica mundial, a partir de 1929, agrava a situação interna e acelera o expansionismo. A partir da subida de Hiroíto ao trono (período Showa), em 1926, intensifica-se a repressão aos movimentos democráticos. Apesar disso, os liberais vencem as eleições de 1936, com propostas de reformas políticas e sociais. Isso desencadeia atentados contra políticos e oficiais moderados, que resultam em levante militar em Tóquio. A base ideológica dos militares é a lealdade ao imperador divinizado e o confronto com as potências européias e os Estados Unidos pelo controle do Pacífico.

Michinomiya Hiroíto (1901-1989), imperador do Japão por 62 anos, nasce no palácio Aoyama, em Tóquio. Assume o trono em 1926 e governa o país na sua fase mais turbulenta. Sob seu império o país entra em fase expansionista na Ásia, participa da guerra sino-japonesa, da Segunda Guerra Mundial, ataca os Estados Unidos em Pearl Harbor e se rende depois de ser atingido por duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki. No período do pós-guerra, o país se transforma em potência econômica. Durante seu reinado, chamado de Showa (paz brilhante), Hiroíto deixa de acumular o cargo de máximo representante espiritual e, em 1945, passa a ser um monarca constitucional. Muito tímido e fisicamente frágil, não segue muitos dos rituais da corte e abandona o quimono. Quebra também o protocolo tradicional ao permitir a publicação de fotos da família real, viajar ao exterior e divulgar que estava doente (teve câncer). Ao morrer, é o mais velho monarca do mundo e o que mais tempo esteve no poder.

Estados Unidos

Na fase final da Primeira Guerra Mundial os Estados Unidos dão início à sua interferência nos assuntos europeus. Fornecem empréstimos à Entente, enviam tropas e mediam o armistício, por meio dos 14 pontos do presidente Wilson. Problemas sociais e econômicos internos fazem o país oscilar entre isolamento e intervencionismo. Os anos 20 são marcados por agitações sociais, greves, atentados e manifestações populares. Imigrantes europeus se destacam nesse processo, sendo presos e deportados os suspeitos de anarquismo ou radicalismo. Os anarquistas italianos Niccola Sacco e Bartolomeo Vanzetti são condenados à cadeira elétrica em 1921. A Lei Seca é promulgada em 1920, com o objetivo de combater o absenteísmo no trabalho e outras práticas sociais consideradas desagregadoras. Mulheres lutam pelo direito de voto, refletindo seu peso crescente no mercado de trabalho (2 milhões em 1914 e 10 milhões em 1930). Entre 1921 e 1924 são colocadas em prática restrições à imigração, com base em leis racistas, e a Ku Klux Klan, agremiação racista clandestina, desencadeia entre 1924 e 1926, no sul e centro-oeste, uma campanha de violências contra negros, católicos, judeus, intelectuais e adversários da Lei Seca.

Crise econômica – O protecionismo comercial favorece a indústria, mas não facilita as exportações. O aumento do consumo e os novos processos de trabalho (produção em série e linha de montagem) fazem com que a produção de bens de consumo, automóveis e construção dobre entre 1921 e 1929. Mas o consumo e as exportações não acompanham o crescimento da produção. O mercado fica saturado, há queda das vendas, endividamento bancário, diminuição e paralisia das atividades industriais, desemprego, retração das compras e maior saturação do mercado, numa espiral recessiva.

Quebra da Bolsa de Nova York – A expansão do crédito bancário e a especulação financeira chegam a seu limite em 24 de outubro de 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, conhecido também como crack da bolsa. No setor de crédito, 9.096 bancos quebram e as cotações das ações reduzem-se em 87% entre setembro de 1929 e julho de 1932. As atividades econômicas regridem ao nível de 1913. O desemprego toma proporções gigantescas (retratado no filme Tempos modernos, de Charles Chaplin). Na década de 30 são mais de 13 milhões de pessoas que percorrem o país em busca de emprego. A supressão dos créditos americanos a outros países, a paralisação das exportações para a América e a queda dos preços das matérias-primas dá amplitude mundial à crise. Para frear a queda dos preços, milhares de toneladas de produtos agrícolas são destruídos nos Estados Unidos, Europa e América Latina. Em 1932 Franklin Roosevelt assume a presidência.

Repercussão internacional – Em conseqüência da quebra da Bolsa, o comércio internacional regride e surgem em diversos países medidas protecionistas como a proibição pura e simples da importação de algumas mercadorias até a limitação na utilização de divisas. O padrão ouro é substituído pelo dólar. A crise monetária reflete-se nos balanços internacionais de pagamentos e vários governos suspendem as amortizações de dívidas e o pagamento de serviços correspondentes. O número de desempregados nos 32 países mais ricos passa de cerca de 6 milhões em 1929 para 25,4 milhões em 1932. A redução de salários, nos EUA, é de 39% entre 1929 e 1931 e de 60% em 1932.

Roosevelt presidente – Em 1932, no auge da crise que começara em 1929, Franklin Delano Roosevelt, político de família aristocrática, é eleito pelo Partido Democrata presidente dos EUA. Começa a política de reformas conhecida como New Deal (Novo Acordo), que irá promover a recuperação da economia do país.

New Deal – Ou "novo acordo", é o conjunto de reformas econômicas introduzidas por Roosevelt. O dólar é desvalorizado em 50% e são aprovadas leis para aliviar as dívidas dos agricultores e proprietários de imóveis. A Lei Agrícola de março de 1933 reduz a produção de excedentes por meio de subsídios. Obras públicas em grande escala são promovidas. O desemprego é combatido com esses projetos financiados com dinheiro público. A Lei de Recuperação da Indústria Nacional, de 1933, protege os interesses dos empresários, mas estabelece acordos de limitação da produção e preços e determina a jornada máxima de trabalho e o salário mínimo. Em dezembro de 1933 é abolida a Lei Seca e normalizado o funcionamento da indústria de bebidas. A Lei sobre as Relações Trabalhistas, de junho de 1935, cria arbitragem e supervisão das relações entre empregadores e trabalhadores e estabelece a liberdade de organização e o direito de greve. A Lei de Segurança Social, de agosto de 1935, cria os seguros desemprego, invalidez e velhice, faculta aos trabalhadores o acesso à casa própria e normatiza as condições de trabalho.

Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), político norte-americano, presidente dos EUA por quatro vezes sucessivas. Nasce no Estado de Nova York, filho de família aristocrática. Estuda em escolas de elite, e forma-se em humanidades em Harvard e depois estuda direito. Casa-se com Eleonor, uma prima distante e sobrinha do ex-presidente Theodore Roosevelt. Começa a carreira política em 1910 já como senador e rapidamente se projeta para postos mais importantes. Em 1921 tem poliomelite e fica paralítico de uma das pernas. Assume a presidência em 1932, quando o país enfrenta sua maior crise econômica, em conseqüência da quebra da Bolsa (1929), e promove a recuperação norte-americana com o New Deal. É reeleito para mais dois mandatos antes da Segunda Guerra Mundial: em novembro de 1936 e em 1940. É o principal articulador da aliança dos Estados Unidos com Reino Unido e União Soviética para combater a Alemanha nazista. Em 1941 leva os EUA a participarem da Segunda Guerra Mundial. Morre em 12 de abril de 1945, na Geórgia, de derrame cerebral.

Política externa – Roosevelt rompe a política do isolacionismo. Os Estados Unidos entram na Organização Internacional do Trabalho em 1934, mas o presidente não consegue apoio interno para aderir ao Tribunal Internacional de Justiça. O país reconhece a União Soviética em 1933 e evita repetir o intervencionismo militar na América Latina ("política de boa vizinhança"). Renuncia ao domínio sobre Cuba e ao protetorado sobre o Haiti. Na VIII Conferência Pan-Americana de 1938, os Estados Unidos prometem para 1944 a independência das Filipinas. A Lei sobre Neutralidade é modificada, em 1937, deixando de proibir a venda ou fornecimento de armas a países em guerra. Criam-se condições para fornecer armamentos a países em oposição à Alemanha e ao Japão. O fim da neutralidade norte-americana é anunciado no Discurso da Quarentena, em outubro de 1937, em Chicago. Roosevelt afirma que a epidemia de violência no mundo torna impossível a neutralidade e ordena o rearmamento a partir de 1938. Em novembro de 1940 é criado o Conselho de Defesa Nacional e, em janeiro de 1941, Roosevelt proclama as Quatro Liberdades: expressão, culto, luta contra a miséria e luta contra o medo. Em março de 1941 é aprovada a Lei do Crédito e do Arrendamento, que permite o envio de materiais de guerra aos aliados sem pagamento à vista.

Itália

As conseqüências da Primeira Guerra Mundial são desastrosas para a Itália. Crescem as dificuldades econômicas e o desemprego. Conflitos sociais e políticos alastram-se entre 1919 e 1925. Socialistas e nacionalistas (fascistas) disputam o poder. Os fascistas estabelecem uma ditadura e conduzem a Itália a uma nova expansão militarista.

Fascismo – Ideologia totalitária, defende que o Estado incorpora e representa todos os interesses do povo, e nacionalista – a nação é considerada a mais alta forma de sociedade desenvolvida pelo homem – que surge na Itália depois da Segunda Guerra. O fascismo tem suporte no movimento de renovação da burguesia nacionalista e no temor de que revoluções operárias, como a russa e a alemã, se repitam na Itália. A fundação, em 1914, por Benito Mussolini, dos Combatentes do fascio (machado rodeado de varas, símbolo da autoridade no Império Romano) e das Esquadras de Ação, em oposição tanto ao regime democrático-parlamentar quanto ao perigo bolchevique, direciona o apoio do empresariado.

Ditadura fascista – Em 24/10/1922 Mussolini organiza a marcha sobre Roma. Ocupa a capital e se faz designar primeiro-ministro. Realiza uma ampla reforma do Estado italiano e inicia uma nova política imperialista. Em dezembro de 1925 Mussolini se outorga os mesmos poderes do chefe de Estado (o rei Vittorio Emanuel III) e assume o título de Duce. Entre 1925 e 1926, institui um sistema sindical corporativo, baseado na colaboração entre as classes. O Estado assume a ordenação jurídica do mercado de trabalho. São reconhecidas somente duas grandes organizações sindicais: uma dos empresários e uma dos trabalhadores. Greves e movimentos trabalhistas independentes são proibidos. A imprensa de oposição é banida e os partidos e organizações que não apóiam o regime são dissolvidos. A pena de morte é restaurada e são criados os tribunais especiais de defesa do Estado e a polícia secreta. O Instituto de Reconstrução Industrial (IRI), criado em 1932, reforça a intervenção do Estado na economia, especialmente na indústria bélica, para fazer frente à depressão econômica mundial. Em 1934 empresários e trabalhadores são enquadrados em 22 corporações para agilizar a recuperação econômica.

Expansão imperialista – Em 1925 a Albânia é convertida em protetorado italiano. Em 1934, apesar da aliança com o nazismo alemão, Mussolini envia duas divisões do Exército em apoio ao governo da Áustria, contra as pretensões anexionistas de Hitler. Em abril de 1935 faz um acordo com a França e o Reino Unido contra o expansionismo alemão, na Conferência de Stressa, e aceita a Paz de Locarno sobre a inviolabilidade das fronteiras. Mas invade a Abissínia (Etiópia ), em outubro de 1935, tomando a capital, Adis-Abeba, em outubro do ano seguinte. As sanções econômicas impostas pela Liga das Nações após a invasão levam a Itália a reaproximar-se da Alemanha. Em julho de 1936, de comum acordo com Hitler, Mussolini intervém na guerra civil espanhola a favor de Franco. Em novembro de 1937 a Itália adere ao Pacto Anticomintern, patrocinado pela Alemanha. Em abril de 1939 tropas italianas ocupam a Albânia e invadem os Bálcãs.

Benito Mussolini (1883-1945), filho de um ferreiro socialista, criado em ambientes anarquistas e socialistas. Professor, participa ativamente do movimento socialista como secretário da Câmara do Trabalho e diretor de um semanário socialista em Trento (1909). É editor dos jornais socialistas Luta de Classes (Forli, 1910)) e Avanti (Roma, 1911-1914). Em 1914, diante da mudança de sua atitude frente à guerra, da qual se torna partidário ardoroso, Mussolini é expulso do Partido Socialista. Em 1917 incorpora o nacionalismo de D'Annunzio, a teoria da "ação pela ação" de George Sorel e torna-se partidário de uma ditadura militar. Em 1919, recruta ex-combatentes e marginalizados e funda organizações políticas. Usa como símbolo o fascio (machado que é símbolo da autoridade no Império Romano), daí o nome fascismo para o movimento. Fica famoso pelas poses arrogantes que utiliza durante os comícios, sessões fotográficas e encontros públicos, e pela amante, Clara Petacci, com quem morre ao ser aprisionado pelos guerrilheiros no final da guerra.

Alemanha

As condições impostas à Alemanha pelos vencedores da Primeira Guerra Mundial, a crise econômica e social que se segue, os avanços socialistas, a incapacidade da burguesia em implantar um projeto de reconstrução, os efeitos da depressão econômica de 1929 e o predomínio do nacionalismo são as bases do crescimento do nazismo.

República de Weimar – Instala-se em 1919, com um governo de coalizão liderado pelos social-democratas. Elabora uma das Constituições mais democráticas da história contemporânea. Estabelece uma República federativa parlamentarista na qual o presidente é eleito por sufrágio direto e o Parlamento é constituído pelo Reichstag (câmara de deputados, eleitos diretamente) e pelo Reichsrat (câmara de representantes dos Laender, ou Estados federados). Mas enfrenta uma feroz oposição da burguesia nacionalista, do Exército e dos grupos de extrema direita. Os grandes industriais combatem as reformas (jornada de 8 horas de trabalho, Imposto de Renda, conselhos de empresa e legislação antitruste) e financiam atos terroristas, assassinatos políticos e tentativas de golpe de Estado da extrema direita. As agitações sociais retornam com a ocupação francesa do Ruhr, em 1923. Entre 1923 e 1930 sucedem-se as quedas de gabinetes e ministros. A divisão entre a coalizão de Weimar e o Partido Comunista permite a eleição de Von Hindenburg para presidente da República, em 1925. Nas eleições de 1928, os partidos social-democrata e comunista obtêm 42% dos votos, mas os social-democratas preferem fazer aliança de governo com o centro e a direita.

Crise política – O partido nazista consegue vitória nas eleições de setembro de 1930, obrigando o centro católico a governar sem apoio parlamentar. A partir de 1932 os nazistas intensificam os atos de violência das SA e SS (organizações paramilitares) contra sindicatos e políticos comunistas, socialistas e de outros partidos. Nas eleições de 1932, Hitler concorre à Presidência, mas perde para Hindenburg, embora tenha obtido maioria em vários Laender. Von Pappen forma novo governo em julho 1932. Dissolve o Parlamento, suspende a proibição sobre as SA e SS, depõe o governo social-democrata da Prússia e convoca eleições gerais para julho. A vitória nazista nas eleições desata a violência das SA contra os adversários políticos e obriga Von Pappen a decretar estado de guerra e dissolver o Parlamento. As eleições de novembro apontam retrocesso nazista e crescimento comunista (6 milhões de votos) e social-democrata. As duas forças de esquerda, porém, ficam divididas. O novo governo, dirigido pelo general Schleicher, tenta aplicar um programa de salvação nacional, tentando isolar Hitler e conquistar o apoio dos sindicatos e dos partidos do centro e a social-democracia. Mas seu programa de reformas sociais une Hindenburg, Von Pappen e Hitler contra si, leva banqueiros a financiarem as ações nazistas e não consegue o apoio da esquerda moderada.

Crise econômica – Persiste desde o final da guerra, sendo agravada pelas enormes indenizações impostas pelo Tratado de Versalhes e pela ocupação do vale do Ruhr por França e Bélgica. O marco alemão desaba e consegue se estabilizar somente em novembro de 1923, quando sua cotação atinge 4,6 bilhões de marcos para US$ 1. A hiperinflação tem efeito devastador sobre a economia, desorganizando a produção e o comércio. Em 1931 há 4 milhões de desempregados, quase 30 mil falências e a produção cai em todos os setores.

Nazismo – Regime totalitário e militarista que se baseia numa mística heróica e de regeneração nacional. Tem conteúdo marcadamente racista, defendendo a superioridade da raça ariana e a perseguição das demais etnias, consideradas inferiores. Apóia-se no campesinato e não tem a estrutura corporativista do fascismo. O nome vem da abreviatura de Partido Nacional Socialista.

Instalação do III Reich – A 30 de janeiro de 1933, após Hindenburg demitir Schleicher, Hitler forma um governo de coalizão direitista, incluindo os nazistas, nacionalistas, independentes e católicos. Em 27 de fevereiro promove o incêndio do Reichstag, atribuindo-o aos comunistas, como pretexto para decretar o fechamento da imprensa, a suspensão das atividades dos partidos de esquerda e o estado de emergência. Em 5 de março consegue a vitória nas eleições para o Reichstag (17,2 milhões de votos), seguido dos social-democratas (7,1 milhões), comunistas (4,8 milhões) e nacionalistas (3,1 milhões). Em 21 de março consegue de Hindenburg a dissolução do Reichstag e detém inúmeros membros das organizações social-democratas e comunistas. Em 2 de agosto de 1934, com a morte de Hindenburg, Hitler torna-se führer (guia) e chanceler do III Reich (o primeiro reich, o Sacro Império Romano-Germânico, é instalado na Idade Média e o segundo com Guilherme I, em 1871). Promove o rearmamento acelerado, reintroduz o serviço militar obrigatório e, em março de 1936, denuncia o Tratado de Locarno e ocupa a Renânia, dando início à expansão militar alemã.

Anti-semitismo – Sustenta-se na idéia de que a raça judia constitui uma ameaça para o germanismo e o destruirá lentamente se não for detida e aniquilada. Com a ascensão de Hitler ao poder, o anti-semitismo e os atos de violência contra judeus tornam-se política de Estado. Em abril de 1933 os judeus são proibidos de praticar a medicina e a advocacia e de ocupar cargos públicos. Em 1935 judeus e demais minorias de sangue não-germânico passam a ser considerados súditos do Reich, privados de direitos constitucionais e proibidos de casar-se ou manter relações extramatrimoniais com cidadãos alemães ou de sangue ariano. Em 1936 é criado o Serviço para a Solução do Problema Judeu, sob a supervisão das SS, que se dedica à exterminação sistemática dos judeus por meio da deportação para guetos ou campos de concentração. Durante a Segunda Guerra são estabelecidos na Polônia ocupada os campos de extermínio em massa. Cerca de 6 milhões de judeus são executados.

Adolf Hitler (1889-1945) nasce em Brenau, Áustria, e vive em Viena entre 1909 e 1913, quando assimila o nacionalismo pangermânico e o anti-semitismo radical predominantes. Em 1914 alista-se no Exército alemão como voluntário, é ferido em combate e recebe a condecoração da Cruz de Ferro. Em 1918 e 1919 trabalha na seção de imprensa e propaganda do Exército em Munique. Em setembro de 1919 filia-se ao Partido Operário Alemão (DAP), convertendo-o no final de 1920 no novo Partido Operário Nacional-Socialista Alemão (NSDAP, que ganharia o apelido de "nazi"), o qual passa a chefiar em julho de 1921. Preso em 1923, após frustrada tentativa de golpe de Estado em Munique, consolida suas idéias no livro Mein kampf (Minha luta), escrito na prisão. Sua ideologia é baseada num conglomerado de idéias que incluem o niilismo de Nietsche, o racismo de Gobineau e Chamberlain, a teoria da herança genética de Mendel, a fé no destino de Richard Wagner, a geopolítica de Haushofer e o neodarwinismo de Ploetz. As idéias motrizes são o nacionalismo, o anticomunismo e o anti-semitismo. Propõe a defesa do sangue e do solo alemães, o aniquilamento dos judeus, o fortalecimento da raça ariana, a integração incondicional do indivíduo na comunidade e a fé cega no líder (führer). Com base nessas linhas ideológicas, estabelece como objetivos políticos a construção de um novo Estado (o III Reich) que seja capaz de prover autarquia econômica para a Alemanha, conquistar seu "espaço vital", libertá-la das cadeias do Tratado de Versalhes e aniquilar o bolchevismo. Assume o poder em janeiro de 1933. Casa-se com sua amante, Eva Braun, pouco antes de suicidar-se, em 1945, no bunker da Chancelaria alemã, em Berlim.

Adolf Hitler, líder germânico

Espanha

A Espanha se vê envolvida numa crise econômica, social e política desde 1902, que se transforma em caos econômico em 1930. O resultado imediato é a instauração da ditadura de Primo de Rivera e proclamação da República, em 1931. O governo republicano concede autonomia regional, decreta a reforma agrária, dissolve a Companhia de Jesus, implanta a educação laica e não consegue debelar a crise econômica. Com isso, descontenta de uma só vez as minorias nacionais, a direita (vitoriosa nas eleições de 1933) e a Igreja, cuja influência sobre a população é muito enraizada. Na Catalunha ocorre um levante separatista em 1934, que é reprimido. Em 1936 condensam-se todas as tensões: a oficialidade do Exército, agrupada na União Militar Espanhola, conspira para um golpe; as forças políticas de centro e de esquerda, inclusive socialistas e comunistas, vencem as eleições, e os conflitos políticos, englobando anarquistas, socialistas, comunistas e direitistas, culminam com o assassinato de Calvo Sotelo, líder da direita parlamentar.

Guerra civil espanhola – O conflito começa com o levante militar anti-republicano da guarnição de Melilla, no Marrocos espanhol, em julho de 1936, liderado pelo general Francisco Franco. Todos os quadros das Forças Armadas, exceto a aviação, apóiam o levante, assim como os católicos, nacionalistas e tradicionalistas. Em julho, o general Cabanellas instala em Burgos uma junta provisória de governo. Apoiando a República estão os operários, camponeses e setores das classes médias, que contam com contingentes policiais, destacamentos de voluntários e contingentes leais da aviação e de algumas unidades militares. Cerca de 70 mil voluntários fascistas italianos, pilotos e aviões da Luftwaffe alemã, tanques e material bélico italianos e alemães são enviados para ajudar Franco. Em junho de 1937 a Luftwaffe bombardeia e destrói Guernica, no País Basco. 25 mil voluntários de 53 países, organizados nas Brigadas Internacionais, participam da guerra ao lado da República. A URSS presta auxilio financeiro, técnico e de suprimentos, mas só a seus aliados diretos, o que divide as forças republicanas.

Guernica

Evolução da guerra – No início de novembro de 1936 a capital republicana é transferida para Valência, ficando a defesa de Madri entregue ao general Miaja. Rivalidades entre os republicanos conduzem à substituição do governo de Largo Cabalero pelo de Juan Negrín (comunista), em maio de 1937. O novo governo realiza uma política de eliminação de oponentes ideológicos (principalmente anarquistas e trotskistas) e lança uma ofensiva no final de 1937 em Aragão, com a ocupação de Teruel. Mas a ofensiva de Franco atinge o Mediterrâneo, corta os contatos entre Valência e a Catalunha e obriga o governo republicano a se transferir para Barcelona. Negrín é derrubado pelo general Miaja, favorável à rendição. Barcelona cai em 26 de janeiro de 1939. 400 mil republicanos fogem do país. O número de mortos é calculado em 1 milhão.

Franquismo – Política de Estado de tipo fascista, imposta pelo general Franco após a vitória na guerra civil. Unifica os segmentos políticos e ideológicos que se aliaram na luta contra a república num partido único, a Falange Espanhola Tradicionalista, dissolvendo os demais partidos. Subordina a economia à política do Estado, obriga as escolas a ensinar o dogma, a moral e o direito canônicos, persegue e reprime maçons e comunistas, instaura a pena de morte para delitos políticos, revoga a reforma agrária republicana, estabelece um rígido controle sobre os salários e a organização sindical e proíbe as greves.

Francisco Franco (1892-1975), mentor e líder da reação à República espanhola e fundador do regime de tipo fascista implantado após a guerra civil. General, serve no Marrocos entre 1921 e 1926. Em 1936 comanda o levante das tropas aquarteladas na colônia espanhola no Marrocos e assume a chefia do movimento militar, tornando-se seu caudilho. Em 1939 transforma-se em chefe de Estado e "generalíssimo". Apesar de haver contado com o auxílio da Itália fascista e da Alemanha nazista durante a guerra civil, mantém a Espanha neutra durante a Segunda Guerra Mundial. Embora anticomunista ferrenho, mantém relações amistosas com Cuba mesmo depois que esta se declara socialista, em 1959.

Portugal

Entre 1911 e 1926, Portugal se vê enredado em conflitos políticos de diversos tipos, envolvendo republicanos e monarquistas e gerando instabilidade permanente. Em 1926 o general Gomes da Costa, o almirante Cabeçadas e o general Carmona dão um golpe militar e instauram um triunvirato, logo depois substituído pela ditadura do general Carmona. Em 1928, já proclamado presidente, Carmona nomeia Antônio de Oliveira Salazar como ministro da Fazenda. Salazar é nomeado presidente do Conselho de Ministros em 1932 e no ano seguinte instaura o Estado Novo, pelo qual reforça o Executivo, dissolve os partidos políticos e transforma a União Nacional em partido único. Proíbe as greves e organiza um sindicalismo vertical, estruturado em corporações idênticas às italianas.

Antônio de Oliveira Salazar (1889-1970), político português, admirador do ideário de Mussolini, torna-se ministro da Fazenda em 1928 e organiza um movimento nacional corporativista, a União Nacional, para apoiar sua ascensão ao poder. A partir de 1932 instaura sua ditadura pessoal, mantém Portugal neutro durante a Segunda Guerra Mundial, conserva as colônias africanas sob um rígido regime de espoliação e atraso e mantém a economia portuguesa estagnada enquanto permanece à frente do governo.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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