Formação dos Reinos Bárbaros
Decorre do aumento populacional, do crescimento econômico e da pressão territorial e militar dos povos bárbaros. Os bárbaros germanos realizam um prolongado processo de invasões e guerras pelos territórios do Império Romano, que se divide em vários reinos.
Reinos romano-germânicos
A partir do século V, os anglos e os saxões desembarcam nas ilhas britânicas, expulsando os celtas que lá viviam. Suevos e visigodos instalam-se na península Ibérica, borguinhões ocupam a Gália, ostrogodos migram para a península Itálica e os vândalos assentam-se no norte da África. Os francos avançam primeiro sobre os borguinhões, gauleses e visigodos, na Gália e na península Ibérica e, depois, atacam os lombardos ou longobardos na península Itálica.
Francos – Vivem na planície norte do Reno até o século IV. No século seguinte, com a eliminação dos pequenos reinados existentes, unificam-se sob o reinado de Clóvis.
Dinastia merovíngia – Iniciada por Meroveu, em 482. Na sua expansão inicial, elimina os restos do domínio romano ocidental com sua vitória sobre os gauleses. Em 496 triunfam sobre os alamanos e, em 497, convertem-se ao cristianismo, o que facilita a consolidação de suas conquistas e a posterior expansão sobre os borguinhões, visigodos e ostrogodos. Clóvis forma um reino em que se fundem francos e gauleses. Em 561 começam os conflitos internos entre a monarquia unitária e a nobreza, resultando na formação de três reinos distintos. Em 613 Clotário II consegue a adesão da nobreza para reunificar o reino, mas a monarquia se enfraquece e acelera o declínio do poder merovíngio.
Dinastia carolíngia – Em 751, Pepino, o Breve, destrona Childerico III, o último rei merovíngio, e consolida a dinastia carolíngia. Pepino, o Breve, atendendo apelo do papa, derrota os lombardos na península Itálica e coloca Roma sob sua proteção. Após novas campanhas vitoriosas, obriga o rei lombardo a devolver os territórios romanos conquistados. Entrega-os então ao papa para que constituam, junto com o ducado de Roma, o Estado Pontifício. Em 768 Pepino divide o reino entre seus dois filhos, mas a morte prematura de Carloman II deixa o reino em mãos de Carlos Magno.
Carlos Magno (747-814), primogênito de Pepino, o Breve, rei dos francos e imperador do ocidente. Famoso por sua altura (1,92 m) e habilidade política. Aprende a ler aos 32 anos. Durante os 46 anos de seu reinado, promove grande desenvolvimento cultural e realiza mais de 50 guerras, para expandir o cristianismo e Constantino impor sua hegemonia no ocidente. Recebe o título de maior soberano da Europa Medieval. No natal de 800 é coroado imperador do ocidente pelo papa Leão III, que diz "A Carlos Magno, coroado por Deus, vida e vitória". É canonizado em 1165. Após sua morte, o império fragmenta-se.
Desmembramento do império – Luís I, o Piedoso, sucessor e filho de Carlos Magno, se faz coroar pelo papa Estêvão IV. Disputas e guerras sucessórias envolvem os filhos de Luís I e resultam na divisão do Império Franco. Em 840 os irmãos Luís, o Germânico, e Carlos, o Calvo, unem-se contra Lotário, o primogênito herdeiro. A aliança é reforçada em 842 pelo Juramento de Estrasburgo, o mais antigo documento redigido em alto alemão e francês antigo. A guerra fratricida termina em 843, com o Tratado de Verdun, pelo qual o Império Franco permanece dividido em três reinos. A divisão prolonga-se até 987, quando Hugo Capeto é eleito e coroado rei da França.
Vândalos – Oriundos das regiões entre o rio Oder e o mar Báltico, são empurrados pelos godos, em 406, para a Eslováquia e a Transilvânia. Unidos aos suevos e alemanos, atravessam a Gália e chegam à Hispânia em 409. Em 429, cruzam o estreito de Gibraltar e fundam um reino na Tunísia. Em 442 conquistam a soberania, constituindo o primeiro reino germânico em território romano ocidental. Conhecidos pelas pilhagens e destruições (vandalismo) que realizam em suas incursões, dominam o Mediterrâneo. Em 455 invadem Roma e roubam os tesouros romanos. Em 534 o reino vândalo da África é destruído pelo general bizantino Belisário.
Suevos – Oriundos da região entre os rios Elba e Oder, deslocam-se a partir de 406 para a península Ibérica, com os vândalos, instalando-se na Galícia em 409. São combatidos pelos visigodos, que migram para a Ibéria em aliança com Roma, em 419.
Visigodos – Ou godos ocidentais se instalam inicialmente às margens do mar Báltico. Empreendem a busca de novas terras a partir do século II. Em 376 ocupam territórios na bacia do Danúbio. No final do século IV, realizam incursões de pilhagem nos Balcãs e no Peloponeso. Em 410 os visigodos tomam e saqueiam Roma, migrando depois para a Aquitânia, onde fundam Toulouse, em 419. Expandem-se pela Hispânia para combater os suevos e tentam conquistar a Gália, entrando em choque com os francos a partir de 507.
Borguinhões – São parte dos germanos orientais das margens do Oder e vizinhos dos vândalos. Por volta de 400 migram para uma área entre o Reno e o Maine, onde fundam um reino destruído por tropas auxiliares hunas. Migram para as margens do lago Genebra e reinstalam o reino em 443. Mantêm-se independentes até 534, quando são conquistados pelos francos.
Alamanos – Fazem parte dos germanos do norte que permanecem majoritariamente em seus territórios de origem, na Jutlândia. Uma parte se desloca para uma área entre os rios Reno e Elba, onde seus clãs ou restos de estirpes se fundem com outras etnias, formando a Suábia.
Ostrogodos – São os godos que se deslocam para as regiões orientais da Europa e instalam um reino junto ao mar Negro, por volta do ano 200. Em 375, o reino é destruído pelos hunos. Saqueiam os Balcãs, penetram na península Itálica e vencem as tropas mercenárias germânicas. Em 493, fundam o reino ostrogodo da Itália. Proíbem o casamento entre romanos e ostrogodos, assumem a proteção militar de Roma e desenvolvem uma política de alianças para enfrentar Bizâncio. A guerra contra o Império Bizantino prolonga-se até 552 e marca o fim do reinado ostrogodo.
Lombardos – Também conhecidos como longobardos, migram de suas regiões de origem, na Escandinávia, para as margens do Elba. Fundam seu primeiro reino na região do Danúbio. Aliam-se aos ávaros para invadir a península Itálica e formar seu segundo reino em 568. Entre 572 e 650 conquistam a Pávia. Dividem a soberania da península com o Império Bizantino e criam ducados com autonomia frente à Coroa. Convertidos ao catolicismo, reunificam o reino. Em 751 o rei lombardo Astolfo põe fim ao domínio bizantino na Itália central. Em 773, Carlos Magno conquista o reino e o incorpora ao Império Franco.
Anglo-saxões – Ao deslocar-se para as ilhas britânicas, em 450, fundam sete Estados. Diante da expansão dos normandos, procedentes da Dinamarca, o rei Edgar consegue unificar os reinos anglo-saxões em 959. Mas o reino não resiste à invasão dos dinamarqueses em 1013. Canuto, eleito soberano em 1016, une a Dinamarca e a Inglaterra num só reino, para a formação de um império marítimo nórdico. A dominação normanda acontece sob o comando de Guilherme (William), o Conquistador, em 1066, que vence a batalha de Hastings.
Normandos – Também chamados de vikings, habitam a região nordeste do mar do Norte e as terras ocidentais do mar Báltico. Por volta do ano 900 constituem os reinos da Dinamarca, Noruega e Suécia. No século X iniciam sua expansão rumo às ilhas britânicas, litoral norte dos reinos francos, península Ibérica, Mediterrâneo e territórios dos eslavos e bálticos. Utilizam um novo tipo de embarcação, com mastro a vela, o que permite a navegação em alto-mar e o alcance de longas distâncias. Em 982 chegam à Groenlândia e no ano 1000 atingem uma franja no norte da América (Vinland).
Reinos eslavos
Originários da região da Rússia ocidental, a partir do século VII deslocam-se para oeste, ocupando as regiões abandonadas pelos germanos a leste do rio Elba, e se estendem pelos Balcãs. Dividem-se em três grandes grupos tribais: os orientais (russos, brancos e ucranianos), os ocidentais (poloneses, pomerânios, sorabos, tchecos e eslovacos) e os meridionais (eslovênios, croatas, sérvios e búlgaros).
Reino russo – Resulta da expansão normanda sobre os eslavos orientais, que estabelecem uma rota de comércio com Bizâncio e com a Ásia Menor. Em 882, Oleg, o Sábio, funda o primeiro reino. Entre 978 e 1054, sob a dinastia Ruríkida, ocorre a eslavização dos normandos e a cristianização do reino, sob a influência bizantina.
Reino polonês – Forma-se como reação das tribos poleni à expansão germânica para o leste, em 960. Como forma de evitar a dominação, o novo reino poleni adota imediatamente o cristianismo. Estabelecendo relações amistosas com os germanos, o reino polonês conquista uma posição hegemônica entre os eslavos ocidentais. Em 1241 a Polônia é invadida pelos mongóis, mas em 1320 a unidade é restabelecida com Ladislau, o Breve.
Reino búlgaro – Surge do reino formado pela unificação das hordas hunas e uigures nas estepes russas do mar Negro. Perdura até 679, quando é destruído pela invasão dos cázaros, dividindo-se em dois reinos.
Reinos tártaro-mongóis
Hunos – Povo asiático, originário das estepes mongóis, estabelece um império na região da Turcomênia antes da era cristã. Possuem organizações sociais e políticas de cunho militar. Os khan, ou príncipes, constituem os chefes eleitos. Deslocam-se para a estepe russa meridional e chegam, juntamente com os alamanos, às costas do mar Negro, em 375. Destroem o reino ostrogodo, aniquilam e submetem os povos germânicos. Em 441 Átila converte-se no khan supremo dos hunos, incorpora germanos e romanos aos seus exércitos, avança contra Bizâncio e invade a Gália. Após sua morte, em 453, os hunos são aniquilados pelos germanos.
Magiares – Penetram no ocidente durante o século IX, apoderam-se da região dos Cárpatos e ameaçam o Império Franco. Em 1241 são dominados pelos mongóis.
Mongóis – O processo de unificação das tribos mongóis, situadas nas estepes asiáticas, ocorre no final do século XII. Os mongóis se voltam para o ocidente, avançam até a Polônia e Germânia e dominam os húngaros. Com a expansão imperial, os mongóis se defrontam com sociedades de economia mais complexa. O comércio das caravanas terrestres, que se retrai durante a expansão militar, é reanimado. O intercâmbio entre o ocidente e o oriente, pela Rota da Seda, ganha vulto. É através dela que Marco Polo chega a Pequim em 1278. Depois de se tornar o maior império da Idade Média, entra em declínio na metade do século XIV. Em 1368 são expulsos da China.
Referências bibliográficas
- Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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