Faixa da seção de História Geral
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Impérios medievais


Império árabe

Surge com a fundação do islamismo, por Maomé, e a unificação das tribos árabes no século VII.

Arábia pré-islâmica – Os povos árabes são de origem semita e vivem na região compreendida entre o mar Vermelho e o golfo Pérsico, onde predominam os desertos. Constroem cidades como Meca e Iazrib (futura Medina) e desenvolvem intenso comércio terrestre e marítimo, principalmente pelo mar Vermelho. Possuem uma língua comum mas vivem dispersos em tribos de diferentes etnias. Cada tribo venera divindades próprias, reunidas na Caaba, santuário pagão de Meca, que se torna centro de mercadores e peregrinos.

Peregrinação em Meca

Hégira – Exílio de Maomé em Medina, após sua fuga de Meca em 622. Maomé elabora uma nova doutrina religiosa, o islamismo, que tem Deus (Alá, em árabe) como o criador e juiz que determina o destino dos homens. Os habitantes de Meca protestam e perseguem Maomé, temendo a decadência das antigas crenças religiosas que haviam feito de Meca um grande centro comercial. Em 630 Maomé regressa a Meca, suprime a idolatria pagã e transforma o santuário de Caaba no centro da religião islâmica.

Unificação da Arábia – Em 632, ano da morte de Maomé, somente o Hedjaz (oeste da atual Arábia Saudita ) é muçulmano. Divergências em torno da doutrina religiosa e do modo de escolha dos sucessores do profeta dividem os muçulmanos.

Expansão árabe – Começa em 634, por meio de pregações e da Guerra Santa (jihad), que difunde o islamismo ao Iêmen, Barein, Omã, Síria, Pérsia, Palestina e Egito. Em 711, os árabes lutam contra Bizâncio e invadem a península Ibérica. A tentativa de conquistar Constantinopla fracassa e, em 732, os árabes são derrotados pelos francos. Em Bagdá, a dinastia dos Omíadas é destronada por tropas persas, que assumem momentaneamente a hegemonia do islamismo. A desagregação do império prossegue, com o surgimento de dinastias independentes. A partir do século VIII tribos turcas incorporam-se aos exércitos árabes. Em 962 surge a primeira dinastia turca num território muçulmano, a dos Gaznaves, no Afeganistão. Essa ascensão é decisiva para a formação do futuro Império Turco-Otomano.

Civilização muçulmana – Após as conquistas, em contato com os povos vencidos, criam uma nova civilização, denominada muçulmana, formada de elementos gregos, persas, egípcios, bizantinos, ibéricos, hindus, sírios e hebreus. Os centros do império árabe, como Bagdá e Cairo, passam por um grande desenvolvimento cultural, que tem por base a fusão do saber oriental com o helenismo. Os árabes impulsionam a medicina, astrono, matemática, química, técnicas agrícolas, navegação, arquitetura e engenharia. Difundem na Europa as obras de Aristóteles e dos gregos antigos e criam uma ciência própria que vai influir no desenvolvimento científico do Ocidente.

Universidade islâmica

Império turco-otomano

A partir de 1055, os turcos assumem a direção política do mundo muçulmano. Com a dinastia otomana, é adotado o título de sultão para o monarca. Os territórios ocupados são divididos em feudos militares, administrados por governadores ou paxás. Durante os séculos XI e XII, atacam o Império Bizantino, mas fracassam em virtude da desagregação feudal. Somente no final do século XIII os príncipes feudais são submetidos à monarquia unificada de Uthman, também conhecido como Osman. Tem início a expansão turco-otomana.

Expansão otomana – Osman I assume o califado em 1281 e consolida o domínio turco sobre a Ásia Menor. Em 1354 seu filho Orjan estabelece o primeiro território turco na Europa. Sob o governo de Murad, os turcos derrotam reinos cristãos, estendem seu domínio até o Danúbio e ocupam a Bósnia, Bulgária, Valáquia e Grécia. Perdem a hegemonia na Ásia Menor ao serem derrotados pelos mongóis, em 1402, mas retomam a expansão em 1413 e conquistam Constantinopla em 1453. A antiga capital do Império Romano do Oriente é transformada em capital do Império Turco-Otomano, com o nome de Istambul. A expansão otomana continua até 1571, já na Idade Moderna. O Império estende-se por grande parte da Europa, Ásia Menor, Mesopotâmia, Síria, Palestina, Egito, Arábia e norte da África.

Índia

Desde 647 encontra-se fragmentada em principados feudais independentes. A produção agrícola e pecuária concentra-se nos feudos, enquanto o artesanato e o comércio se desenvolvem nas cidades. A sociedade permanece dividida em castas, ressurgem as tradições brâmanes e o budismo sofre perseguições. Templos, monastérios e manuscritos budistas são destruídos por hinduístas e muçulmanos.

Domínio árabe e invasão mongol – A partir de 712 os árabes entram no território e se expandem pelos vales dos rios Indo e Ganges. Entre 1221 e 1296, o sultanato turco-árabe de Déli rechaça a primeira invasão mongol e se estende por toda a Índia. A partir de 1340 aumenta a resistência hindu, com a fundação do reino indiano de Vijaianagar, no Industão, que se converte em núcleo da resistência indiana ao domínio islâmico. Em 1398 e 1399 os mongóis destroem Déli, acelerando o colapso do sultanato turco-árabe e a transformação da Índia num mosaico de pequenos Estados feudais de religião islâmica e hinduísta, que não se mesclam.

China

A fragmentação da China em reinos feudais autônomos ocorre entre os séculos III e IV, como conseqüência das invasões das tribos hunas e turcas ao norte.

Primeiras dinastias – Em 580, a dinastia Sui unifica diferentes reinos. Em 618 é substituída pela dinastia Tang, que traz um período de florescimento cultural. A poesia lírica ganha vulto (quase 50 mil poemas de 2.200 autores) e em 725 é fundada a Academia Han-lin. O budismo, que começa na China em 500, influi na literatura, pintura e escultura. A partir das derrotas frente aos árabes em 751, começa o declínio do reino unificado e a desintegração da dinastia Tang, em 907, substituída pela dinastia Sung. Nesse período, o desenvolvimento econômico e cultural é impulsionado, com a invenção da pólvora, dos foguetes e da arte de imprimir. O confucionismo transforma-se em doutrina moral e política oficial, contribuindo para a unificação cultural do país. A língua chinesa é normatizada pelo escolástico Chu-hi.

Domínio mongol – Entre 1211 e 1215 tem início o domínio mongol, com invasão do reino Chin por Gengis Khan. Reorganiza o império, dividindo-o em 12 províncias, e procura manter o desenvolvimento econômico alcançado pelo reino Sung.

Dinastia Ming – A resistência ao domínio mongol intensifica-se por meio de sociedades secretas de caráter nacional e rebeliões camponesas, que conseguem derrubar a dinastia Yuan mongol em 1368. A dinastia Ming, que a substitui, realiza uma política expansionista, incorporando a Manchúria, a Indochina e a Mongólia ao reino chinês entre 1403 e 1424. A decadência Ming acelera-se com a chegada dos europeus em 1516 e acaba em 1644 com a invasão manchu.

Império romano do oriente

Após a queda do Império Romano do Ocidente, em 476, a sede do Império Romano do Oriente, Constantinopla (atual Istambul, na Turquia ), tem seu nome mudado para Bizâncio, e o domínio passa a ser conhecido como Império Bizantino.

Reinado de Justiniano – A partir de 527, o imperador Justiniano estabelece a paz com os persas para empregar suas forças na reconquista da parte ocidental do império. Ocupa o norte da África, derrotando os vândalos, apossa-se da Itália, submetendo os lombardos, e toma o sul da Espanha aos visigodos. Em 532 Justiniano instaura o absolutismo.

Flávio Pedro Sabácio Justiniano (482-565), o mais importante monarca de Bizâncio, nasce em família pobre. Adotado pelo tio Justino, ex-guarda analfabeto que chega a ser imperador, recebe aprimorada educação, estudando direito, retórica e teologia. Ambicioso e autoritário, dedica-se à reconquista do império. É chamado pelos súditos de "imperador que nunca dorme". Para recuperar o antigo Império Romano, realiza grandes obras administrativas e estimula a indústria, o comércio e as artes. Vive no luxo e esplendor e seu palácio é foco de intrigas e corrupção. Faz a revisão e codificação do Direito Romano no Corpus Juris Civilis ou Código Justiniano. Casa-se com Teodora, ex-atriz e filha de um tratador de ursos, que tem papel importante em seu governo.

Templo bizantino

Expansão bizantina – Apesar de abandonar grande parte da Itália, ocupada pelos lombardos em 568, Bizâncio estabelece governos provinciais para reforçar a defesa do império. A partir de 610, adota a língua grega como idioma oficial e divide o território da Ásia Menor em distritos militares, sob o comando de generais (estrategos). Em 628, Bizâncio derrota os persas. Constantinopla é novamente assediada, entre 674 e 678, pelo nascente Império Árabe.

Cultura bizantina – Famosa pelos trabalhos com seda, principalmente em Constantinopla, a cultura bizantina sofre grande influência dos persas. Destaca-se na produção de mosaicos e na arquitetura de igrejas, onde combina elementos orientais e romanos. A cidade de Ravena, no nordeste da Itália, torna-se a segunda sede do império.

A questão iconoclasta – Conhecida também como guerra das imagens, começa durante a dinastia síria iniciada em 717. Os veneradores de imagens as consideram símbolo e mediação do divino. Apoiados pelo papa Gregório III, opõem-se violentamente à iconoclastia, ou proibição de imagens nas igrejas (salvo a de Cristo), decretada em 726 pelo imperador Leão III. Em 730 é decretada a pena de morte para quem venerasse imagens.

Leão III, o Isauro (675-741), imperador da dinastia síria entre 717 e 741, rechaça as tentativas árabes de tomar Constantinopla e reorganiza a administração. Influenciado pelas seitas iconoclastas orientais, pelo judaísmo e pelo islamismo, proíbe a veneração das imagens nas igrejas.

Cisma do Oriente – É resultado da debilitação do Império Bizantino e do fortalecimento do papado romano após sua aliança com os francos, que atinge seu ápice com a coroação de Carlos Magno. O abandono da obediência da Igreja Bizantina a Roma, em 867, coincide com uma nova tentativa de expansão de Bizâncio, que reforça o absolutismo imperial, consolida a influência grega e intensifica a difusão do monarquismo e do misticismo, em contraposição às reformas do papa Leão IX. A Igreja oriental rompe com a ocidental, passando a denominar-se Igreja Ortodoxa, em 1054.

Queda de Constantinopla – Por causa das guerras externas e civis e das Cruzadas, Bizâncio continua se enfraquecendo. Em 1203 Constantinopla é tomada pela Cruzada e sofre o maior saque de relíquias e objetos de arte que a história da Idade Média registra. O Império Bizantino é repartido entre os príncipes feudais, originando os diversos Estados monárquicos. Sob assédio constante dos turcos desde 1422, Constantinopla cai em 1453 e marca o fim do Império Romano do Oriente.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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