Absolutismo
Os Estados absolutistas surgem na Europa durante os séculos XVII e XVIII. Realizam a centralização administrativa, criam exércitos permanentes, procuram firmar as fronteiras nacionais e empreendem políticas mercantilistas e coloniais. Tornam seus países potências européias.
Absolutismo francês – A partir de 1560, sob a Regência de Catarina de Medicis, são combatidos os calvinistas. No episódio conhecido como a Noite de São Bartolomeu, são assassinados 20 mil huguenotes (protestantes).Trava a guerra dos três Henriques, entre 1585 e 1589, para garantir a sucessão dinástica. Em 1589 Henrique de Bourbon sobe ao trono e em 1593 converte-se ao catolicismo sob o pretexto de que "Paris vale uma missa". Seguem-se Luís XIII e os cardeais Richelieu e Mazarino. O seu apogeu é alcançado com Luís XIV, o Rei Sol, entre 1661 e 1715.

Luís XIV (1638-1715), conhecido como o Rei Sol, o maior dos reis absolutistas da França. Recebe formação humanista e assume o poder em 1661, um ano após o casamento com Maria Teresa, filha de Felipe IV da Espanha. Durante seu reinado, que se estende por mais de 50 anos, dá incentivos às atividades culturais, persegue os protestantes, reorganiza o exército e trava guerras contra a Espanha, Holanda, Áustria e Luxemburgo. Constrói o luxuoso Palácio de Versalhes, onde vive a corte francesa. Príncipe caprichoso, aprecia a etiqueta, festas e belas mulheres. Mantém duas amantes e manifesta sempre seu desejo de governar sozinho. A ele se atribui a frase "L'État c'est moi" (O Estado sou eu).
Absolutismo inglês – Ganha força inicialmente com a dinastia dos Tudor, entre 1485 e 1603, principalmente com Henrique VIII e Elizabeth I, sendo reforçado com a dinastia dos Stuart. O auge do centralismo acontece com Cromwel, em 1653, durante a República instalada pelo Parlamento, em 1649. Tenta prosseguir com a restauração monárquica dos Stuart, em 1660, mas as disputas dinásticas, os conflitos entre católicos e protestantes e as lutas entre a Coroa e o Parlamento, dominado pela burguesia, conduzem às revoluções inglesas do século XVII. A burguesia, inicialmente ligada ao rei, na necessidade de suplantar os nobres e garantir a expansão comercial, passa a disputar com este o controle do Estado.
Elizabeth I (1533-1603), ou Isabel, rainha da Inglaterra e da Escócia. Filha de Henrique VIII e Ana Bolena. Na infância estuda línguas, música e dança. Sobe ao trono em 1558 e implanta definitivamente o protestantismo na Inglaterra. Aprisiona e manda decapitar Mary Stuart, sua prima e rival, rainha católica da Escócia. Combate Felipe II da Espanha, que representa impedimento à expansão inglesa. Desenvolve o comércio e a indústria, propiciando um renascimento das artes e um relaxamento dos costumes. Nessa época, a Inglaterra passa a ser conhecida como "merry old England" ("alegre e velha Inglaterra"), embora a situação do povo continue ruim. Não faltam tentativas de rebelião e atentados à vida da rainha, mas a ordem social é mantida pelo terror.
Revolução Puritana – Inicia-se em 1628, quando o Parlamento impõe a Carlos I, da dinastia dos Stuart, a "Petição dos Direitos", que limita o poder da Coroa. Como resposta, o rei dissolve o Parlamento e governa sozinho durante 11 anos. A guerra civil começa em 1642. Oliver Cromwell comanda o exército parlamentarista, que manda decapitar Carlos I em praça pública. A República é instaurada em 1649 e, em 1653, Cromwell dissolve o Parlamento e exerce uma ditadura pessoal.
Restauração da monarquia – Ricardo, filho de Cromwell, sucede o pai mas não consegue se manter no poder por mais de oito meses. Um novo Parlamento é eleito (1660) e decide pela restauração da monarquia dos Stuart. Carlos II assume a Coroa cedendo ao domínio do Parlamento. A restauração estende-se pelo reinado de Carlos II (1660-1685) e de seu irmão Jaime II (1685-1688).
Revolução Gloriosa – Durante o reinado de Jaime II, católico, cresce o descontentamento da alta burguesia e da nobreza anglicana. Temendo um governo ditatorial, o Parlamento inglês propõe a Coroa a Guilherme de Orange, príncipe holandês casado com Mary Stuart (filha de Jaime II). A Revolução Gloriosa começa em 1688 quando se enfrentam as forças de Guilherme de Orange e de Jaime II, que é derrotado. Em 1669 Guilherme e Mary Stuart assumem o trono da Inglaterra. Assinam o Bill of Rights (declaração de direitos) que determina, entre outras coisas, a liberdade de imprensa, a manutenção de um exército permanente e o poder do Parlamento de legislar sobre tributos. A Revolução marca o fim do absolutismo na Inglaterra e a instauração da monarquia constitucional. Favorece a aliança entre burguesia e proprietários rurais, que será a base do desenvolvimento econômico inglês.
Referências bibliográficas
- Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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