Faixa da seção de História Geral
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Reforma


Conjunto de movimentos de caráter religioso, político e econômico que contestam os dogmas católicos, entre 1517 e 1564. Tem início na Alemanha e provoca a separação de uma parte da comunidade católica da Europa, originando o protestantismo. Ocorre paralelamente ao renascimento cultural humanista, às insurreições da nobreza, às rebeliões camponesas, à expansão do mercantilismo e do sistema colonial e às guerras entre as monarquias européias.

Reforma luterana – Iniciada em 1517 pelo monge alemão Martinho Lutero. Defende que a fé é o elemento fundamental para a salvação do indivíduo. Rompe com a Igreja Católica em 1519, ao negar o primado do papa. A igreja considera heréticas as 95 teses de Lutero, afixadas à porta do castelo de Wittenberg. Elas protestam contra a venda das indulgências, os perdões concedidos pelo papa e o relaxamento dos costumes do clero.

Apoio a Lutero – Com a simpatia de diferentes setores da nobreza e camponeses, o protestantismo de Lutero difunde-se rapidamente na Alemanha. Resulta na dissolução das ordens monásticas, na revogação do celibato clerical, na secularização dos bens da igreja pela nobreza e na substituição da autoridade eclesiástica pela autoridade do Estado. Na esteira dos protestos de Lutero surgem seitas e rebeliões que contestam a autoridade de Roma. Grupos místicos surgem em Waldshut, Nuremberg, Suábia, Silésia, Leiden e Münster.

Reforma anglicana – Promulgada em 1534 pelo rei Henrique VIII, da Inglaterra. Usa como pretexto a recusa do papa em aceitar seu divórcio da rainha espanhola Catarina de Aragão. Henrique VIII rompe com a Igreja Católica e cria o anglicanismo. É reconhecido como chefe supremo da Igreja da Inglaterra. Entre 1553 e 1558 ocorre a reação católica, com o reinado de Maria Tudor. Seu casamento com Felipe II da Espanha transforma a reforma religiosa numa questão nacional. Entre 1559, sob Elisabeth I, é renovada a soberania da Coroa sobre a igreja e ratificada a liturgia anglicana, tendo por base a confissão calvinista reformada.

Henrique VIII (1491-1547) nasce em Greenwich e torna-se herdeiro do trono da Inglaterra em 1502, após a morte do irmão mais velho. Em 1509 é coroado e casa-se com Catarina de Aragão, a viúva de seu irmão. Poliglota, esportista e estudioso de teologia, retoma a doutrina de Lutero, o que lhe vale o título de defensor da fé, concedido pelo papa Leão X. Com o apoio do Parlamento e do povo, descontente com os privilégios e poderes eclesiásticos, nomeia-se chefe da Igreja da Inglaterra em 1531. Em 1533, obtém a anulação de seu casamento e confirma a união com Ana Bolena, que três anos depois é decapitada por adultério. Casa-se mais quatro vezes.

Reforma calvinista – Surge da tentativa fracassada de Zwinglio de implantar a reforma luterana na Suíça. Ela é retomada por Bullinger e pela união dos zwinglianos com a igreja de Calvino, em 1549. Pela dogmática do francês João Calvino, refugiado em Genebra, o homem está predestinado à salvação ou à condenação. Pode salvar-se quem santificar a vida cumprindo seus deveres. A Igreja e o Estado devem estar separados, com predomínio da primeira.

Ética protestante – Calvino considera o cristão livre de todas as proibições não explicitadas nas Escrituras, o que torna as práticas do capitalismo lícitas, em especial a usura, condenada pela Igreja Católica. De acordo com a teoria da predestinação, a idéia de que Deus concede a salvação a poucos eleitos, o homem deve buscar o lucro por meio do trabalho e da vida regrada. Surge a identificação da ética protestante com o capitalismo, que se torna atraente para a burguesia.

Contra-reforma

Compreende o conjunto das medidas adotadas pela Igreja para defender-se, como as reformas internas, a fundação da Companhia de Jesus e o Concílio de Trento. Cria novas ordens eclesiásticas, como a dos teatinos, capuchinhos, barbabitas, ursulinas e oratorianos.

Companhia de Jesus – Criada em 1534 por Inácio de Loyola. Com organização militar e disciplina rígida, coloca-se incondicionalmente a serviço do papa. Desempenha papel fundamental na renovação da Igreja, na luta contra os hereges e na evangelização da Ásia e Américas.

Concílio de Trento – De 1545 a 1563, convocado por Paulo III para assegurar a unidade de fé e a disciplina eclesiástica. Regula as obrigações dos bispos e confirma a presença de Cristo na eucaristia. São criados seminários como centros de formação sacerdotal e reconhece-se a superioridade do papa sobre a assembléia conciliar. É instituído o índice de livros proibidos (Index Librorum Prohibitorum) e reorganizada a Inquisição.

Guerra dos Trinta Anos

É a primeira grande guerra européia. Começa em 1618 como conflito religioso envolvendo católicos e protestantes e adquire caráter político em torno das contradições entre Estados territoriais e príncipes. Envolve a Áustria, Hungria, Espanha, Holanda, Dinamarca, França e Suécia, entre outros. Termina em 1648 com a Paz de Westfalia, na qual são reconhecidas as liberdades dos calvinistas e demais protestantes. As devastações no território alemão, a redução da população, a disseminação da barbárie e a repressão sangrenta às mulheres acusadas de bruxaria facilitam a restauração do império pelos príncipes. Desaparece a hegemonia dos Habsburgo. Portugal, Áustria e Holanda conquistam a independência. França, Suécia, Baviera e Prússia ampliam suas áreas territoriais à custa da Alemanha.

Referências bibliográficas

  • Almanaque Abril. ALMANAQUE ABRIL 95: a enciclopédia em multimídia. Abril, São Paulo, 1995. (bibliografia completa)
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